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Ranking dos juros irrita Caixa e BB

Bancos públicos dizem que BC comparou coisas incomparáveis e apresentou as instituições como ?vilãs?

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

A decisão do Banco Central de divulgar o ranking dos juros cobrados pelos bancos causou irritação no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Os bancos oficiais vêm sendo pressionados a baixar as taxas, mas dizem que só cortam os juros se não houver risco de afetar sua saúde financeira. Por isso, não gostaram da divulgação da lista do BC, pois lá aparecem entre os mais caros. O limite para o corte nos juros foi ressaltado pelo vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival, ao anunciar na sexta-feira o terceiro corte de juros neste ano. "Estamos alinhados com a política econômica e com o nosso controlador, mas é a análise técnica que justifica esse movimento dos juros", disse. Entre os motivos técnicos, está o corte da taxa básica de juros, a Selic, em um ponto porcentual. Isso barateia o custo do dinheiro para a Caixa. O elevado custo dos financiamentos e, sobretudo, do chamado spread bancário (a diferença entre a taxa que o banco paga para captar dinheiro no mercado e aquela que ele cobra do cliente a quem concede empréstimo) tem alimentado o mau humor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Os bancos estão com o filme queimadíssimo", disse um assessor. A divulgação do ranking do BC é um elemento dessa pressão política, e os bancos oficiais acusaram o golpe. Na Caixa e no BB, a sensação é que divulgar o ranking nessas condições jogou por água abaixo o esforço para reduzir os juros e colocou os dois bancos na "vala comum" das instituições privadas. Mas a qualidade dos dados levantou críticas até por parte de bancos privados. Isso porque são comparadas taxas cobradas em instituições de varejo, como é o caso do Banco do Brasil e da Caixa, com bancos pequenos e pouco conhecidos como Fidis e Barigui. Assim, a lista do BC compara coisas que não são comparáveis. No cheque especial, por exemplo, a Caixa surge no ranking do BC num desconfortável 15º lugar entre os mais baratos de uma lista de 36. O BB está logo atrás, no 17º posto. Entre os que praticam juros menores que os dois, só pequenos: Daycoval, Cruzeiro do Sul, Bonsucesso e Intercap, entre outros. No crédito pessoal, situação semelhante: Caixa cobra a 18ª taxa mais baixa e o BB ocupa a 34ª posição da lista de 98 bancos. À frente dos dois, instituições de nicho, como o Société Générale, Barigui e Calyon Brasil. Pequenos conseguem praticar taxas menores porque o público é restrito.No francês Société Générale, por exemplo, o dinheiro só é emprestado aos próprios empregados. Não há operação para pessoas físicas que não trabalham na instituição. No governo, avalia-se que a Caixa, embora tenha espaço para avançar mais, está se mostrando mais afinada com o quadro econômico, tendo promovido neste ano três cortes nos juros.Segundo técnicos, se em vez de comparar indistintamente as instituições o ranking do BC fosse organizado de forma a cotejar bancos que operam em situações semelhantes, a Caixa teria o juro mais baixo entre os grandes que operam cheque especial, crédito pessoal e aquisição de bens. Nos três casos, o BB viria em seguida, com o segundo menor juro. Tal argumento já foi levado ao BC, responsável pela apuração e divulgação da lista. Atualmente, a instituição já trabalha para a chamada "segunda fase" do ranking.

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