Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Rapidez na condução do ajuste é crucial para retomar crescimento, diz FMI

Representante brasileiro no Fundo Monetário Internacional, Otaviano Canuto afirmou que a falta de clareza nas tendências do Congresso 'não é uma boa notícia'

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 17h43

RIO - O diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) Otaviano Canuto afirmou nesta quinta-feira, 6, que a crise política não é favorável ao ajuste na economia que o governo tenta tirar do papel em 2015. Segundo o economista, o programa de ajuste deveria ser apoiado por todas as esferas do governo e pelo País como um todo. Além disso, a rapidez na condução das medidas é crucial para que o Brasil retome o crescimento.

"A falta de claridade nas tendências do Congresso não é uma boa notícia. O programa de ajuste tem que pertencer ao governo e ao País como um todo", disse Canuto após participar do seminário "A Agenda de Crescimento do Brasil", promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Canuto esquivou-se de uma avaliação mais firme sobre a posição do Congresso, se ajuda ou atrapalha o governo no cumprimento do ajuste fiscal. "Tem que ver se a pauta-bomba é para valer ou não", disse. Mesmo assim, o diretor-executivo do FMI afirmou que a redução da meta de superávit primário - uma "atitude correta" diante da desaceleração mais intensa do que a prevista - deveria servir de "chamamento" para o Congresso ajudar na mudança estrutural dos gastos básicos. As reformas são importantes para que o País atinja superávits primários maiores e garanta o grau de investimento.

"Tudo que prejudique a consecução (conquista) de resultados não é favorável ao ajuste. Quem sabe sair da crise política seja equivalente a chegar a um consenso no que diz respeito ao suporte ao que o País deveria fazer na área fiscal", afirmou Canuto. "Como o vice-presidente Michel Temer disse ontem da maneira mais brilhante do que eu poderia dizer: menos ruído e mais convergência."

O diretor-executivo do FMI ainda evitou comentar o debate sobre um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Única coisa que digo é o seguinte: quanto mais suave e rápido for o processo de mudanças de leis que alteram a dinâmica dos gastos, melhor do ponto de vista macroeconômico e de crescimento", disse.

O FMI, entidade em que Canuto representa o Brasil, tem acompanhado a evolução da atividade e a própria crise política vivida pelo País. Porém, o diretor-executivo do Fundo não acredita que o imbróglio entre o Executivo e o Legislativo vá influenciar a decisão de agências de classificação de risco, uma vez que o critério adotado é se o País tem capacidade e disposição de arcar com os juros da dívida pública. "Mas o aumento de gastos não é boa notícia (para o rating)", reconheceu. 

Tudo o que sabemos sobre:
economiaajuste fiscalFMIpauta-bomba

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.