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Rápido aumento do crédito no Brasil é desafio à estabilidade, diz FMI

Fundo alerta para risco de superaquecimento em economias emergentes.

Alessandra Corrêa, BBC

21 de setembro de 2011 | 10h03

O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou nesta quarta-feira que o rápido crescimento do crédito no Brasil representa um risco à estabilidade.

No Global Financial Stability Report ("Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global", em tradução livre), lançado nesta quarta-feira, em Washington, o FMI cita o exemplo do Brasil ao lado da também emergente Turquia.

"(Nesses países) A qualidade dos empréstimos parece forte na superfície, mas a rápida expansão do crédito doméstico representa um desafio chave para a estabilidade futura", diz o documento.

O risco de aumento excessivo do crédito já motivou medidas do governo brasileiro para restringir a concessão de empréstimos e controlar a inflação.

Segundo o FMI, os grandes fluxos de capital que invadiram muitos emergentes - entre eles o Brasil - após a crise econômica mundial ajudaram a alimentar a expansão na liquidez e no crédito.

Riscos

O FMI alerta para o risco de superaquecimento em algumas dessas economias emergentes, com gradual acúmulo de desequilíbrios financeiros e deterioração da qualidade de crédito.

Outro risco é o de uma saída brusca desse capital estrangeiro, caso a situação econômica global se agrave ou haja mudanças nos fundamentos econômicos - como perspectivas de crescimento ou risco-país.

As medidas para restringir a concessão de crédito no Brasil, aliadas ao fraco desempenho da indústria - afetada pela valorização do real frente ao dólar - e a uma maior incerteza no cenário externo são apontadas por economistas brasileiros como motivos para uma redução nas projeções de crescimento do país.

O próprio FMI reduziu na terça-feira para 3,8% a sua previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior, de junho.

O caso do Brasil, porém, não foi único. As projeções para a economia mundial e para quase todos os países analisados pelo fundo também foram reduzidas, diante de um aumento das incertezas sobre a recuperação global.

Nas economias avançadas, onde as perspectivas de crescimento são bem menores do que nos emergentes, o FMI observa que há um impacto negativo tanto nas contas públicas quanto nas privadas.

Fase política

De acordo com o fundo, diante desse cenário, os riscos à estabilidade global "aumentaram substancialmente" nos últimos meses, e a crise econômica mundial chegou a uma nova fase.

Depois de períodos de dívida privada, crise no sistema bancário e problemas de dívida em economias avançadas, agora a crise está em uma fase política, marcada pelas dificuldades de consenso sobre consolidação fiscal.

Como exemplo, o relatório cita o caso da zona do euro - onde as crises de dívida e déficit iniciadas em 2010 em alguns países provocaram uma onda de desconfiança nos mercados.

Segundo o FMI, apesar de medidas importantes terem sido adotadas na região, diferenças políticas entre as economias que passam por ajustes e as que fornecem apoio impediram uma solução duradoura.

Nos Estados Unidos, o impasse nas negociação no Congresso sobre a elevação do teto da dívida pública - que quase levou o país a um calote inédito em julho - lança dúvidas sobre a capacidade política de chegar a um consenso sobre um ajuste fiscal de médio prazo.

O FMI lembra que foram as dificuldades de um acordo entre Casa Branca e Congresso que levaram a agência de classificação de risco Standard & Poor's a rebaixar a nota dos Estados Unidos, em agosto. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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