REUTERS/Sergio Perez
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Rato, ex-diretor do FMI, é liberado da prisão e vai colaborar com as autoridades

Rodrigo Rato foi detido na manhã desta sexta-feira em uma investigação por fraude e lavagem de dinheiro

Associated Press

17 Abril 2015 | 13h59

MADRI - O ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Rodrigo Rato anunciou nesta sexta-feira, 17, que vai cooperar com as autoridades de justiça espanholas, depois de passar várias horas detido em uma investigação por fraude e lavagem de dinheiro.

Rato, que chegou a ser uma das figuras políticas mais destacadas da Espanha, disse ao jornal El País que estava "em casa e em liberdade", depois de as autoridades revistarem sua residência e o levarem em um carro de polícia camuflado na quinta-feira para que estivesse presente no momento em que um de seus escritórios fosse revistado. As autoridades o liberaram um pouco depois da meia-noite.

As autoridades espanholas investigam Rato por fraude, lavagem de dinheiro e ocultação de bens, explicou um funcionário do Tribunal Superior de Justiça em Madri, que falou sob condição de anonimato. A investigação segue em segredo de justiça.

Ainda não foi apresentada nenhuma acusação formal contra Rato, mas se espera que ele seja convocado para prestar novos depoimentos a um juiz.

Rato foi ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro no governo do ex-presidente conservador José María Aznar entre 1996 e 2004. Ele dirigiu o FMI entre 2004 e 2007.

Também é investigado por seu antigo papel como diretor do banco espanhol Bankia, que teve de ser resgatado financeiramente pelo governo em 2012. Ele também é filiado ao Partido Popular, mas teve suas atividades partidárias suspensas.

A notícia da prisão de Rato se segue a notícias publicadas pelo El País e outros veículos esta semana, que disseram que Rato teria sido beneficiado de uma anistia fiscal em 2012, mecanismo que, segundo as autoridades, algumas pessoas teriam usado para lavar dinheiro. Rato se recusou a confirmar ou desmentir esta notícia.

Para o governo, sem entrar em mais detalhes, a investigação não tem ligação com a anistia fiscal. O ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, assegurou que a lei é igual para todos e que a Espanha não deixará de combater fraudes fiscais.

O caso é o último de uma série de escândalos que tem golpeado o Partido Popular enquanto se prepara para as eleições regionais e locais do mês que vem e para as gerais no final do ano. 

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