Fabio Motta/Estadão
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Raul Jungmann diz que 'governo federal torce' para Embraer firmar acordo com Boeing

Em entrevista ao programa 'Globonews Miriam Leitão', o Ministro da Defesa afirmou que a parceria deve ficar dentro dos limites da segurança nacional, impedindo que outro governo tenha poder sobre a empresa brasileira

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2018 | 00h53

RIO - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que o governo federal torce para que a fabricante brasileira de aviões Embraer firme um acordo com a norte-americana Boeing, desde que isso não implique em poder externo sobre a Embraer. As empresas discutem um acordo desde o ano passado.

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"[O governo] quer que dê certo, torce para dar certo. Eu, inclusive, me reuni com o diretor financeiro da Boeing e sua equipe e disse a ele: 'olha, encontre uma maneira, sejam criativos'", afirmou o ministro em entrevista ao programa Globonews Miriam Leitão, exibido na noite desta quinta-feira, 1º, pela emissora de TV paga Globonews.

Para Jungmann, é preciso criar um tipo de parceria que impeça que outro governo tenha poder sobre a Embraer, responsável por projetos do governo federal. "O nosso problema é que, se o controle passa para um terceiro país, as nossas decisões ficam subordinadas àquele país - por exemplo, ao Congresso americano. Se o Congresso americano, amanhã, decidir que não é de seu interesse o desenvolvimento de um reator nuclear ou o ciclo completo nuclear que a Marinha faz, se ele tem o controle da Embraer, isso está rompido", disse.

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"É uma parceria. Crie uma terceira empresa. Como nós fazemos isso? Não sei. Eu sei o que não pode (fazer). Nenhum país do mundo vende uma empresa estratégica de defesa. Não é por nacionalismo, ultra-nacionalismo ou qualquer tipo de preconceito com os americanos ou a Boeing. Nós apostamos que dê certo, mas temos um limite que remete a um projeto nacional autônomo que é o limite que a gente impõe", continuou o ministro.

Jungmann completou ainda que "a gente aposta nessa parceria, porque o mercado aeronáutico global está mudando e é importante tanto para a Embraer como para a Boeing".

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