Andrey Rudakov/The Washington Post - 20/11/2020
Andrey Rudakov/The Washington Post - 20/11/2020

Não podemos relaxar sobre a previdência, algo que poucos parecem querer atacar

Hoje, as atenções se voltam para uma nova e grave crise mundial, inciada após um ataque maciço à Ucrânia

Raul Velloso, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2022 | 04h00

Pandemia à parte (será que já podemos relaxar por conta do seu arrefecimento?), as atenções se voltam para uma nova e grave crise mundial, detonada desta feita por um ataque maciço à Ucrânia, desferido por sua vizinha e uma das nações mais poderosas do planeta, a Rússia. Óbvio que é terrível para o mundo todo enxergar as mortes e as multidões de refugiados no contexto de uma guerra que, com a agravante dos armamentos mais modernos de hoje, ocorre em meio às durezas do inverno do Hemisfério Norte.

Ainda que a Rússia tenha diminuído bastante de dimensão econômica desde os tempos da guerra fria (seu PIB é hoje menor do que o do Estado americano do Texas), é uma das principais produtoras de petróleo e gás natural no âmbito mundial, sendo a maior fornecedora desses insumos para a Europa Ocidental. Não por outro motivo, o que muito chama a atenção de todos em um primeiro momento é a desorganização dentro dessas e de outras cadeias de produção e consumo, com destaque ainda para commodities agrícolas, inclusive fertilizantes, intensamente comercializadas no plano mundial, o que levou a fortes ameaças de desabastecimento e disparada de preços. 

Dificilmente escaparemos de uma maior pressão cambial e inflacionária vinda de fora, ainda que o Brasil, sendo um importante player no mercado mundial de commodities, esteja hoje bem mais preparado no que toca à disponibilidade de divisas para administrar suas contas externas. Isso fará uma grande diferença a nosso favor, bastando lembrar do que aconteceu por aqui nas crises petrolíferas dos anos 70 e 80, quando o nosso leque de opções para reagir rapidamente era mínimo. Em tempos mais bicudos, já estaríamos arrumando a mala para uma ida ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para pedir socorro. Hoje, somos exportadores líquidos de petróleo e temos um volume inédito de divisas no caixa, relativamente a qualquer variável macro que com ele se compare. 

Diante da ameaça de guerra em uma escala mundial, independentemente de quem seja o principal culpado, americanos e europeus ocidentais já se organizam para enfrentá-la, inclusive com as chamadas “sanções” aos russos, já em andamento. Quanto a nós, ainda que o noticiário local já tenha escasseado as menções aos velhos problemas internos, minha modesta visão é de que não podemos relaxar no ataque ao “x” da nossa questão, que é, ainda, em grande medida interna – leia-se “previdência”, algo que até muitos aceitam, mas poucos parecem querer atacar. 

*CONSULTOR ECONÔMICO

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