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Razões para acreditar

Ainda há espaço para um moderado otimismo com relação ao comércio exterior em 2020

Michel Alaby*, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 04h00

Fazer previsões em Economia pode ser uma arte ingrata, especialmente quando caímos na tentação de estender a análise de um período limitado do tempo a um horizonte mais longo, subestimando a força de alguns fatores e superestimando a força de outros. Foi o que aconteceu no começo deste ano, quando o acirramento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã fez muita gente levantar a hipótese de um conflito de maiores proporções, com todos os impactos negativos que isso teria na economia mundial e, consequentemente, no comércio internacional.

Mesmo em tempos em que a epidemia de coronavírus, a volatilidade cambial e a incerteza sobre as reformas econômicas no Brasil elevam o nervosismo do mercado, há ainda razões para acreditar que não terminaremos 2020 lamentando resultados. O que não significa que não existam cenários que devam ser observados com muita atenção. Vamos a eles.

1) China: a epidemia de coronavírus trouxe mais incertezas ao cenário que será criado pelo acordo Estados Unidos-China. Num primeiro momento, esperava-se que o provável aumento das exportações americanas ao gigante asiático poderia frear a demanda chinesa por produtos brasileiros. Mas essa eventual perda poderia ser compensada por uma melhora no bom humor geral do mercado, que vê com bons olhos o fim da guerra comercial entre os dois gigantes.

Tudo dependerá de quanto tempo vai durar a parada total da economia chinesa. Hoje, produtores brasileiros já sofrem com a falta de insumos chineses para produzir internamente e, eventualmente, exportar. A natureza inesperada do episódio torna ainda mais difícil de fazer qualquer previsão sobre as consequências humanas e econômicas.

2) Crescimento mundial x crescimento do Brasil: a situação chinesa é uma das razões de um clima de incerteza que paira sobre a economia mundial, e o crescimento brasileiro está vinculado a ela. Não me atreveria a arriscar números, mas ainda acredito que haverá crescimento, mesmo que tímido.

3) Argentina: a situação econômica do país vizinho continuará prejudicando nossas exportações de bens manufaturados, mas esse é um mal conhecido e já precificado. Além disso, em relação aos possíveis acordos com a União Europeia e o Mercosul, o protagonismo natural recai sobre o Brasil, podendo beneficiar nossos produtos.

4) Mercosul: o nosso tão subestimado bloco econômico do Cone Sul deverá ser reativado e incentivado, tanto pelo interesse dos países-membros como de grandes economias, como Japão e Canadá, que têm interesse em acordos com o bloco. A incógnita no caminho é qual será a política ambiental para a Amazônia, e se ela irá ou não gerar ruídos.

5) Novos mercados: independentemente do que aconteça com nossos parceiros mais tradicionais, o Brasil deverá buscar mais agressivamente a abertura de novos mercados, como, por exemplo, países do sudeste asiático e a Índia.

6) Oriente Médio: como lembrei ao iniciar este texto, a região, infelizmente, continuará suscetível a agitações políticas, mas nada que impeça que continue tendo um fluxo comercial substancial com o Brasil.

7) Importações e exportações brasileiras: a política cambial é flutuante. Quando o real se desvaloriza, os exportadores são beneficiados e os importadores levam desvantagem. E vice-versa, faz parte do jogo. Mas a excessiva volatilidade dificulta qualquer planejamento no longo prazo. Por isso, o Banco Central do Brasil poderia ter uma intervenção mais forte, evitando a alta especulação da moeda.

Portanto, apesar de toda a incerteza, há ainda espaço para um moderado otimismo. Se ele se concretizará, ou não, vai depender de se identificarem as oportunidades e buscar aproveitá-las.

* ESPECIALISTA EM COMÉRCIO EXTERIOR

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