'Razões políticas' cancelam ação pró-etanol

A empresa norte-americana Capitol Petroleum Group cancelou a promoção que valeria a partir de hoje em dois postos de combustíveis ao lado do Congresso americano, em Washington, e daria um desconto de US$ 0,54 por galão na gasolina.

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

A iniciativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) tinha como objetivo sensibilizar os congressistas para derrubarem a barreira tarifária ao etanol brasileiro. O Congresso tem até 31 de dezembro para decidir se manterá a sobretaxa de US$ 0,54 por galão de etanol de cana importado do País.

A Capitol Petroleum diz apenas ter cancelado a promoção por "razões políticas".

Joel Velasco, representante da Unica nos EUA, protestou. "Livre mercado e liberdade de expressão são dois princípios fundamentais que fizeram dos EUA um líder global", disse.

Velasco já estava preparado para uma reação dos produtores americanos de milho, preocupados com a ação brasileira para derrubar a tarifa sobre o etanol importado. Mas disse não imaginar que o lobby do concorrente seria tão eficaz.

Logo pela manhã, o site da Renewable Fuels Association, entidade que faz o lobby do milho nos EUA, divulgou um texto no qual dizia que os produtores brasileiros de etanol estavam gastando milhões de dólares na divulgação do combustível obtido a partir da cana em território americano.

O site defendeu que o uso do etanol de milho, feito nos EUA, não só garante economia para os motoristas como dá suporte à economia e aos empregos locais. "Em vez de procurar canibalizar este mercado, o Brasil deveria trabalhar com os EUA para expandir o uso do etanol globalmente", acusou a publicação.

Agora, o escritório da Unica em Washington estuda um plano B, depois da derrota para o lobby do milho. Um deles seria dar um vale-desconto para quem abastecer nos postos que participariam da promoção ou tentar uma parceria com outro revendedor de combustível.

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