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Reação a boatos indicam fragilidade brasileira, avaliam europeus

A forte negativa dos investidores à uma notícia equivocada sobre um pagamento da dívida da Prefeitura de São Paulo, serviu para mostrar a fragilidade do processo de recuperação de confiança nos mercados brasileiros iniciado logo após as eleições, afirmam analistas de instituições européias. Segundo eles, o incidente de ontem mostrou que os mercados ainda encaram com enorme ceticismo o futuro governo petista e a sustentabilidade das contas do País e que qualquer evento considerado negativo poderá ser maximizado e afetará o clima de maior alívio das últimas semanas.Segundo um diretor de um banco espanhol, "todo mundo erra no poder, mas o PT não poderá se dar ao luxo de errar no começo e terá a partir de agora que apresentar cada vez mais consistência em suas declarações e atos". Ele observou que "a turbulência ontem mostrou que a tese de que os mercados concederam o benefício da dúvida ao PT é muito questionável".O analista para mercados emergentes do banco francês Natexis Banques Populaires, Charles Valentin, disse que "tecnicamente" a recuperação dos ativos do País ainda é frágil. "O pessoal comprou um pouco o País nos últimos dias, mas o sentimento continua volátil", disse Valentin. "O pessoal aqui fora já estava um pouco frustrado com a equipe de transição anunciada ao PT, que não inclui grandes nomes e ontem, diante da polêmica em torno da dívida de São Paulo, o ambiente não ficou bom. Segundo Valentin, o episódio de ontem fez reemergir na mente dos investidores "aquela época que o Itamar Franco falava que não ia quitar os débitos de Minas Gerais com a União".Para o estrategista da corretora britânica Exotix, Richard Segal, "o mercado, apesar de se mostrar um pouco mais confortável com o Brasil está muito sensível a qualquer notícia considerada negativa". Segal acredita que o futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva terá que "ter uma taxa de acerto acima de 90%". "A partir do momento que os investidores confirmarem que o PT está sendo cauteloso em seus atos e, principalmente após o anúncio da nova equipe econômica, eles poderão se sentir mais confortáveis em relação ao Brasil."

Agencia Estado,

07 de novembro de 2002 | 11h40

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