Reação à crise causa demissões na UE

Para reduzir custos e enfrentar as consequências da crise, empresas fecham unidades na Europa e anunciam cortes de funcionários

LONDRES , O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h08

Para cortar gastos e reagir à crise da dívida da zona do euro, várias empresas europeias estão anunciando demissões e o fechamento de unidades.

Ontem, a companhia de energia e gás alemã E.ON disse que deve demitir quase 11 mil funcionários e espera reduzir seus custos em 9,5 bilhões até 2015.

Em agosto a E.ON definiu uma meta de reduzir o número de vagas entre 9 mil e 11 mil, em resposta a uma redução nos preços de energia e gás e aos planos do governo da Alemanha de interromper o uso de energia nuclear. Hoje a companhia revelou que os cortes devem ficar perto do limite superior dessa faixa.

A E.ON planeja realizar mudanças na estrutura do grupo, que vão afetar unidades nas cidades de Essen, Dusseldorf, Hanover e Munique. A diretoria da companhia quer agrupar funções de suporte, como setor financeiro, recursos humanos e contabilidade. "É possível prever que de 30% a 40% das vagas de trabalho serão cortadas", diz o comunicado.

Outra europeia, a ArcelorMittal, pediu ontem a seus funcionários europeus que não interrompam a produção. O anúncio veio após uma federação de sindicatos convocar um dia de paralisação para 7 de dezembro, em protesto contra os planos de fechar unidades e cortar vagas.

A Arcelor, maior siderúrgica da Europa, já desativou 9 de seus 25 altos-fornos, já que a demanda por aço não se recuperou como esperado. A companhia diz que a situação econômica no continente "nos obrigou a adotar as decisões que tomamos" e "seria muito mais prejudicial para a viabilidade de longo prazo da ArcelorMittal na Europa ignorar essa realidade e continuar a produzir aço de uma forma que não conseguiríamos vender".

No último domingo, a gigante francesa do setor nuclear Areva anunciou que pretende cortar 1.300 vagas na Alemanha e fechará dois de seus complexos no país, após Berlim decidir abandonar a energia nuclear.

A companhia cortará sua força de trabalho em 20% em seu principal complexo, em Erlangen, no centro alemão, bem como em outras filiais pelo país, informou a revista, sem citar as fontes. A imprensa francesa havia informado que a Areva deveria cortar 800 vagas na Alemanha. A empresa deve anunciar a medida em 13 de dezembro, em Paris. Após o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, o governo alemão decidiu fechar todos os reatores nucleares no país até o fim de 2022. / DOW JONES NEWSWIRES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.