Reação da China surpreende analistas

Após estímulo de US$ 585 bilhões, expansão pode chegar perto de 8%

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

O impacto positivo do maciço pacote de estímulo governamental de US$ 585 bilhões para a economia chinesa já leva vários analistas a rever as projeções de crescimento do país neste ano para porcentuais bastante próximos dos mágicos 8% esperados pelo governo. Diante dos indicadores dos últimos dois meses, é cada vez maior o número de observadores que apostam em uma trajetória em formato de "V" para a China - acentuada desaceleração seguida de uma rápida recuperação.Todos os números indicam que a reação já começou: a produção industrial aumentou, os empréstimos bancários atingem níveis recordes, o investimento teve expansão de 30% em março e a queda livre das exportações foi amenizada nos últimos dois meses.Os dados sensibilizaram até mesmo os mais pessimistas, que passaram a rever seus números para este ano. Entre eles, o grupo mais proeminente são os analistas do banco de investimento Morgan Stanley, que esperavam crescimento de 5,5% no Produto Interno Bruto (PIB) chinês este ano e, na semana passada, elevaram a previsão para 7%.Os economistas da instituição avaliam que a recuperação será mais rápida e mais forte do que esperavam anteriormente e atribuem o resultado às políticas adotadas pelo governo chinês, que anunciou o pacote de estímulo em novembro do ano passado.CRISE ANTECIPADAA terceira maior economia do mundo começou a desacelerar no início do ano passado, em decorrência de problemas domésticos. O aumento da taxa de inflação levou ao aumento dos juros básicos, ao mesmo tempo em que as empresas enfrentavam elevação dos custos trabalhistas e a valorização a moeda local, o yuan, em relação ao dólar.A situação se agravou no segundo semestre com a explosão da crise global, que reduziu o ritmo de crescimento da economia do país para 6,8% no quarto trimestre. Em todo o ano, a expansão foi de 9%, bem abaixo dos 13% registrados em 2007 e o menor nível desde 2001.No primeiro trimestre deste ano, o avanço do PIB foi de 6,1%. Apesar de mais baixa que a anterior, houve crescimento mais acentuado na comparação trimestral. Além disso, a economia chinesa atingiu o fundo do poço em janeiro e fevereiro, mas começou a reagir em março, quando a produção industrial aumentou 8,3%.O Banco UBS, da Suíça, também promoveu a elevação de sua projeção de crescimento chinês este ano, de 7% para 7,5%, e a Consultoria Dragonomics avalia que é possível uma cifra próxima de 8%.DIFICULDADESEm relatório sobre a política monetária divulgado na quinta-feira, o Banco do Povo da China, o banco central local, afirmou que os dados do primeiro trimestre foram mais positivos que o esperado e ressaltou que continuará a garantir "ampla liquidez" para a economia nos próximos meses.A brutal elevação nos empréstimos bancários desde dezembro é um dos principais fatores que impulsionaram a reação econômica a partir de março. Somente no primeiro trimestre deste ano, os bancos chineses concederam financiamentos no montante de 4,6 trilhões de yuans, equivalentes a US$ 673 bilhões.Esse valor supera o volume do pacote de estímulo governamental e ficou próximo do total de 4,9 trilhões de yuans emprestados em todo o ano de 2008 pelos bancos do país.A Consultoria Dragonomics estima que os financiamentos bancários atingirão algo entre 8 trilhões e 9 trilhões de yuans até o fim de 2009, quase o dobro da cifra registrada em todo o ano passado.Apesar da avaliação positiva em relação ao primeiro trimestre, o banco central ressaltou que os fundamentos da recuperação econômica ainda não são sólidos. O principal problema é a excessiva concentração dos empréstimos bancários em projetos governamentais, em prejuízo das pequenas empresas, que continuam com dificuldade para obter crédito. NÚMEROS DO GIGANTEUS$ 585 bilhões foi o montante do pacote do governo chinês para estimular a economia8% é o crescimento econômico esperado pelo governo chinês neste ano30% foi o índice de aumento do investimento chinês em março5,5% era o crescimento econômico chinês previsto pelo Morgan Stanley no início do ano 7% é a nova taxa de crescimento prevista pelos analistas do Morgan Stanley

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