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Reação do emprego em abril foi tímida, dizem economistas

Em termos dessazonalizados, 106 mil vagas representam queda de 60 mil

Andrea Vialli, Luciana Xavier, Marcelo Rehder e Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

A abertura de 106 mil postos de trabalho formal no País em abril foi considerada um número tímido por economistas ouvidos pelo Estado. O professor da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo, avalia que os resultados foram "ruins", pois apresentaram uma queda de 69 mil postos em termos dessazonalizados, ante uma elevação de 39 mil vagas em março, pelo mesmo critério. "Trata-se de uma marca muito baixa, pois em abril tradicionalmente é criado um grande número de empregos, cuja média histórica para o mês é de 200 mil", comentou, referindo-se às 106 mil vagas criadas no mês passado. Em abril de 2008 foram gerados 294 mil postos.Já para o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, o resultado é extremamente positivo, se comparado com o resto do mundo. "Estamos anunciando geração de postos de trabalho, enquanto o mundo está anunciando queima de postos de trabalho", argumentou Ganz Lúcio.Na avaliação de Camargo, o baixo ritmo de criação de empregos no País no ano, que segundo o Caged apresentou saldo positivo de 48,4 mil vagas, é um indicador que mostra como está a demanda agregada. Ele estima que o Produto Interno Bruto (PIB) deve exibir uma queda de 2,5% no primeiro trimestre ante os três meses anteriores, enquanto o período de abril a junho deve mostrar uma alta que não vai superar 1% na margem. Para 2009, o economista acredita que o Brasil deve apresentar retração de 1,5%, número mais baixo que o recuo de 0,49% na mediana das projeções da Pesquisa Focus e bem distante da previsão de alta de 1,2% do Banco Central.JUROS"Como a economia está fraca, a geração de empregos é pequena. Nesse contexto, acredito que o Banco Central deve reduzir os juros em mais 1 ponto porcentual em junho e pelo menos mais 0,50 ponto porcentual em julho", comentou. "O curioso é que a parte do governo que está otimista com o desempenho da economia defende um corte mais rápido dos juros, enquanto a parcela um pouco mais pessimista defende uma redução da Selic mais lenta."Segundo o economista Fabio Romão, da LCA Consultores, após os dados fracos do Caged de abril, aumentou a chance de um corte de 0,75 ponto porcentual da Selic em junho. Para Romão, os números do Caged mostram recuperação da economia, porém bem lenta e gradual. "Houve uma evolução mais fraca em postos na indústria do que a gente imaginava", disse. "O resultado foi pífio."Na avaliação do secretário do Emprego e Relações do Trabalho de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, os números de abril "não são um sinal vigoroso de recuperação da economia". Segundo o secretário, a criação de empregos com carteira assinada em abril está aquém da média histórica do período. "Tradicionalmente, o mês de abril abre a temporada da empregabilidade em todo o País. Tivemos 106 mil novos postos criados em abril, o que representa menos da metade da média histórica entre 2002 e 2009", disse Afif. O secretário ressaltou ainda que o Estado de São Paulo respondeu pela criação de 72.022 novas vagas, e a maioria, de 63.864 postos, foram criados em municípios do interior. "Quando se analisam os números da região metropolitana, vemos que a indústria de transformação continua na UTI." ANDREA VIALLI, LUCIANA XAVIER, MARCELO REHDER e RICARDO LEOPOLDO

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