Reação econômica européia pode ser varrida por crise financeira

São crescentes os temores de que as previsões de recuperação econômica na Europa para esse segundo semestre serão varridas pela crise que atinge os mercados financeiros. As três principais bolsas de valores do continente - Frankfurt, Londres e Paris - acumulam perdas de cerca de 17% ao longo das últimas quatro semanas e poucos analistas arriscam dizer que essa queda não poderá se agravar ainda mais diante das incertezas com a economia norte-americana, os escândalos contábeis na grandes corporações e a possibilidade de declínio das exportações européias causada pelo fortalecimento do euro diante do dólar. A fragilidade da economia alemã, a maior da Europa, é uma das principais causas de preocupação. O índice de confiança dos empresários alemães (IFO), um dos principais termômetros econômicos do país, voltou a baixar neste mês, pressionado pela debilidade das bolsas e pelo impacto negativo da paridade entre o euro e o dólar nas exportações. A pesquisa constatou junto às 7 mil maiores empresas uma piora nas expectativas, principalmente no setor manufatureiro, que teme que o declínio nos mercados acionários afete os investimentos, gerando mais desemprego - que atingiu o seu nível mais elevado dos últimos três anos em junho - e reduzindo o consumo. O economista Gernot Nerb, um dos coordenadores do Ifo, não descartou, inclusive, que a economia alemã possa enfrentar uma dupla recessão. "A possibilidade de um renovado desaquecimento é agora de 50%", alertou Nerb.O ministro das Finanças, Hans Eichel, tem procurado assegurar aos mercados e à população de que a recuperação econômica alemã não está ameaçada. A economia alemã entrou em recessão no segundo semestre do ano passado, mas o PIB registrou um crescimento de 0,2 % no primeiro trimestre de 2002 em relação aos três meses anteriores. Apesar de o governo manter a sua previsão de crescimento de 0,75% para este ano e de 2,5% para 2003, o outros analistas estão revisando suas expectativas para baixo. O instituto econômico DIW, de Berlim, prevê que o PIB alemão vai crescer apenas 0,6% em 2002 e o banco Hypovereinsbank é ainda mais pessimista, apontado uma expansão de apenas 0,25%. Grã-BretanhaDiante da fragilidade alemã, a performance da economia britânica pode ser considerada até que bem positiva. Após registrar um crescimento de apenas 0,1% no primeiro trimestre deste ano, foi anunciado hoje que o PIB da Grã-Bretanha cresceu 0,9% entre abril e junho passados. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 1,5%. O aquecimento foi liderado pelo setor industrial, que tem se beneficiou nos últimos meses da desvalorização da libra esterlina. Mas apesar do fôlego britânico, as perspectivas para o restante da Europa não são muito mais animadoras. Segundo o Deutsche Bank, com a desaceleração norte-americana, as principais economias européias vão permanecer altamente vulneráveis aos choques externos, dos quais o mais sério seria uma dupla recessão nos Estados Unidos e uma elevação dos preços do petróleo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.