Reação já começou, dizem analistas

Resultado apresentado no primeiro trimestre leva o mercado a rever as projeções feitas para o PIB do País no ano

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

O resultado do PIB no primeiro trimestre, de queda de 0,8%, foi melhor que o esperado pelos economistas, que já veem nos números divulgados ontem pelo IBGE os primeiros sinais de que o País está saindo da recessão. "Com esse resultado, o Brasil consolida uma recuperação da economia no formato em ?V? e deve registrar, na margem, uma expansão média de 2% do segundo ao quarto trimestre", avalia a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif. "Como a tendência é de melhora do nível de atividade no decorrer do ano, o País deve crescer 0,5% em 2009."Para ela, uma série de fatores vai limitar o crescimento. Um deles é que os investimentos caíram 20,8% quando se compara o período de outubro de 2008 a março de 2009 com o terceiro trimestre de 2008. Esse fator foi um dos que mais influenciaram a queda de 2,5% do PIB no acumulado deste ano - que é a soma da retração de 0,8% no primeiro trimestre, na margem, com o carregamento de 1,7% herdado do último trimestre de 2008, quando houve retração de 3,6%, na margem.A desaceleração menos intensa que o aguardado também levou o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, a apostar em um PIB de 0,5% para 2009. "Há 70% de chances de o PIB registrar um número positivo neste ano", comentou. Para Borges, um dos fatores que levaram o consumo das famílias a crescer 0,7% ante o quarto trimestre de 2008 foi a melhora das condições de crédito, que apresentaram um resultado mais favorável nos primeiros três meses do ano em relação ao do fim de 2008. Ele acredita que a aquisição de bens e serviços pelos cidadãos deve subir 2,7% este ano. Para ele, a elevação de 3,5% dos gastos do governo também deve ajudar o PIB a subir 0,5% neste ano. Em 2008, tais despesas avançaram 5,7%. Na sua avaliação, esses indicadores vão atenuar os efeitos negativos da forte queda dos investimentos e das exportações, que para a LCA devem cair 5% e 14% em 2009, respectivamente. Menos otimista, o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore manteve a projeção para o PIB, de queda em torno de 1% este ano. "Para chegar a esse valor é preciso uma razoável recuperação, que será ainda lenta no segundo trimestre, acelerando-se no terceiro e no quarto trimestres. A recuperação já está em marcha. Esta é uma recessão muito funda, mas, se marcarmos seu final como o início da recuperação, ainda que lenta, acho que estamos saindo da recessão." O professor da PUC-RJ José Márcio Camargo reduziu sua previsão de queda do PIB para 2009 de 1,5% para 1%. Mas, na sua avaliação, para manter o estímulo ao nível de atividade no decorrer do ano o governo deveria dar continuidade à distensão monetária. "Ainda há espaço para redução de 1 a 1,5 ponto porcentual dos juros neste ano." COLABOROU LEANDRO MODÉ

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.