Reações da Rússia e China são normais, diz Pratini

O presidente da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne e ex-ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, considera normal a reação de alguns países como a China e a Rússia, que recusaram recentemente as exportações de soja e carne brasileiras. "Eu acho que nós temos de nos acostumar que quando o Brasil cresce e assume as posições que está assumindo como agora, na posição de liderança internacional de soja e de carne vem pau por aí, como foi o caso do café solúvel, dos calçados, do aço e do suco de laranja", disse Pratini de Moraes, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo. Na avaliação de Pratini de Moraes, o Brasil está "atrapalhando a concorrência" ao tomar a posição de liderança na produção de alguns produtos. "Eu não tenho dúvida nenhuma de que as vantagens competitivas que o Brasil tem hoje na carne, tanto bovina como suína e de frango, na soja, na celulose, no aço e no couro são quase que absolutas. Ninguém pode competir com o Brasil e o País precisa assumir essa posição, explorar as suas oportunidades no mercado e aprender que sempre vai ter dificuldades reais", disse.DescuidoPara ele, a aftosa no Pará, apontada como causa do embargo da carne brasileira pela Rússia e a Argentina, foi um "descuido na vigilância sanitária". "É muito importante e provavelmente a atividade mais crucial nesta fase do Brasil, de afirmação do agronegócio, a sanidade animal e vegetal. Se não quer aftosa tem de vacinar. E tem, de vacinar 100% dos animais", defendeu o ex-ministro que atribui o problema à falta de dinheiro para a vacinação. "Os Estados mais pobres precisam de recursos federais. Nos últimos dois anos tem havido insuficiência desses recursos", disse Pratini de Moraes, numa discreta referência ao governo do PT. "É preciso colocar recursos, não é muita coisa, para os veterinários irem às propriedades e com isso evitar que a doença se espalhe". Para Pratini, o governo foi rápido na resposta aos embargos mas ressaltou que "talvez" a resposta não tenha sido suficientemente efetiva. "O que é importante neste momento é que o Brasil hoje é o maior do mundo e nós precisamos estar preparados para isso. Temos de evitar, também, misturar questão comercial com questão ideológica e política. Isso é uma questão comercial, tem de ser tratada comercialmente", defendeu Pratini de Moraes. ?Nós temos de enfrentar as nossas negociações internacionais como líderes?"Não pode haver falha sanitária na questão da carne. Nós temos de enfrentar as nossas negociações internacionais como líderes e não como países que estão começando. Nós temos de cobrar da OMC uma atitude mais rigorosa para evitar abuso na questão sanitária e não podemos admitir que um país como a Argentina, por exemplo, bloqueie a importação de carne do Brasil porque houve um foco de um animal com aftosa numa região que não está livre de aftosa que é a Amazônia?. Segundo Pratini, o Brasil precisa ter uma posição mais pró-ativa. ?Temos que cobrar e ter mais firmeza e entender o seguinte: ninguém vai dar colher de chá para o Brasil. Nós temos de conquistar o nosso espaço com muito trabalho e fazer direito o dever de casa, conferindo aos nossos produtos qualidade e sanidade. Aí o Brasil vai continuar desenvolvendo o seu agronegócio".

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