Reajuste acumulado de transportes em SP fica acima da inflação

A variação de aumento acumulada desde o início do Plano Real (1994) até janeiro deste ano nos transportes públicos de São Paulo é superior à inflação acumulada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) no período. A constatação foi divulgada hoje pelo coordenador da Fundação, Paulo Picchetti. De acordo com ele, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou alta de 139,95% nesses anos, o aumento das passagens de transportes públicos desde 1994 ficou em 255,1% (metrô), 306,5% (ônibus) e 284,31% (táxi) no período. Na comparação do acumulado desde janeiro de 2000 até o mês passado, o transporte público também registrou variação acima da inflação no período. Enquanto a alta do índice inflacionário foi de 33,81%, segundo cálculo da Fipe, o metrô subiu 42,37% nos mesmos anos; o ônibus ficou 47,37% mais caro e o táxi, 63,24%. "Em ambos períodos de comparação, detectamos que apenas até 1996 os aumentos podiam ser relacionado à reposição de preços. Depois desse ano, as altas ficaram acima da inflação", avaliou Picchetti. Transportes públicos de SP não sobem em ano eleitoralOs governantes do Estado e da cidade de São Paulo, historicamente, não aumentam os preços das passagens de transportes públicos em anos eleitorais independente do partido a que sejam filiados. Quando há algum aumento nesses anos, é pouco significativo, segundo detectou pesquisa da Fipe divulgada hoje.O levantamento da Fipe mostrou também que, na maioria das vezes, os preços do setor são reajustados após a posse de prefeitos e governadores. Foi assim que ocorreu com o metrô de São Paulo. Em 1998, quando o então governador Mário Covas concorria à reeleição, não foi detectado aumento nas passagens. Em 1999, Covas continuou no poder e, no ano seguinte, elevou as tarifas. No período entre 1994 e 2000, o acumulado da alta das passagens era de 217%, enquanto a variação do IPC estava em 155%. Em dezembro de 2000, a alta acumulada passava para 230% e a alta do IPC estava em 167%.Em 2002, na transferência do mandato para Geraldo Alckmin, um gráfico similar foi desenhado. Praticamente não houve elevação de preços em 2002 e a alta ocorreu nos primeiros meses do ano passado. Desde o início do Plano Real, o acumulado da elevação dos preços do metrô até janeiro de 2003 era de 268% e, em dezembro, foi para 315%. Os preços das passagens dos ônibus reagem da mesma forma, segundo revelou o coordenador da Fipe, Paulo Picchetti. No táxi, o mesmo comportamento foi detectado. A exceção ficou no ano em que o então prefeito Paulo Maluf fazia campanha para que Celso Pitta ficasse à frente da Prefeitura da Capital. "Vale lembrar que este impacto não foi muito negativo para o governador porque é sabido que grande parte dos eleitores é formada pelos motoristas de táxi", salientou Picchetti. Mas o desenho voltou a ser repetido nas últimas eleições municipais. Os preços ficaram praticamente estáveis em 2000, mas em 2002, após a posse da prefeita Marta Suplicy, subiram.

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