Reajuste da gasolina ainda é estudo, diz Mantega

Segundo o ministro, ainda não há definição em relação ao modelo apresentado pela Petrobrás para correção automática dos preços dos combustíveis

Laís Alegretti, Antônio Pita e Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2013 | 02h04

BRASÍLIA/ RIO - O governo ainda está trabalhando no mecanismo que permitirá a correção automática dos preços dos combustíveis, informou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Não há metodologia fixada", afirmou, ao chegar ao evento que comemorou os dez anos do programa Bolsa Família.

O ministro explicou que a nova metodologia está sendo desenvolvida há meses pela Petrobrás. Ele explicou que a companhia só divulgou um fato relevante sobre o assunto ontem para atender à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já que essa é uma informação sensível que afeta o mercado. "A Petrobrás teve de soltar um fato relevante porque houve conhecimento do mercado de que estava sendo trabalhada uma metodologia." Ele acrescentou que "não é de hoje" que esse modelo está em análise. "A metodologia de reajuste é coisa séria, não pode ser feita de afogadilho", comentou.  

Mantega negou, ainda, que haja uma data definida para o aumento da gasolina. Há expectativa que o reajuste seja autorizado no dia 22 de novembro, quando vence o prazo para o conselho de administração apreciar a proposta. No mesmo evento, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou ter encaminhado ao Palácio do Planalto uma proposta de aumento do porcentual de biodiesel no diesel. Segundo ele, ainda não há uma definição sobre o assunto, que está em exame.

Pré-sal. Dez dias após o leilão de Libra, as desconfianças quanto às exigências e à governança do modelo de partilha começam a emergir entre as empresas que participam do consórcio responsável pela exploração. Sócia da Petrobrás no consórcio de Libra, com 20% de participação, a francesa Total expressou ontem dúvidas quanto à capacidade da indústria brasileira em suportar as demandas da exploração da área nos próximos anos.

"Precisamos estar seguros de que conseguiremos desenvolver todos os suprimentos no Brasil", afirmou o diretor geral da Total no Brasil, Dennis Palluat de Besset. O executivo classificou a medida como "um desafio e uma dificuldade" para o consórcio.

Besset afirmou, em evento no Rio, que "faz parte da responsabilidade social" da empresa o apoio à indústria local. "Mas o que se tem dito no Brasil é sobre a capacidade de prover essa demanda, todas as necessidades da indústria. É um desafio."

Mais cedo, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, defendeu a exigência. Segundo ele, o crescimento do setor contribui para reduzir o custo de produção. "Para uma empresa de petróleo não há melhor hedge do que produção de baixo custo", afirmou.

A Petrobrás também ressaltou a necessidade de uma boa governança para o sucesso do projeto. "Será crucial termos boa relação com a PPSA para atingir os benefícios para todas as partes", completou José Miranda Formigli, diretor de Exploração e Produção da Petrobrás sobre a relação com a futura estatal responsável pela gestão do Pré-sal.

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