Reajuste da Petrobras deve elevar inflação de 2022 em até 0,25 ponto porcentual, dizem economistas

Reajuste da Petrobras deve elevar inflação de 2022 em até 0,25 ponto porcentual, dizem economistas

Economistas do mercado financeiro calculam que o IPCA deve subir por causa do aumento de preços dos combustíveis

Cícero Cotrim, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2022 | 12h44

O aumento dos preços da gasolina (5,2%) e diesel (14,2%) nas refinarias anunciado nesta sexta-feira, 17, pela Petrobras deve ter reflexos na inflação, pressionando ainda mais os preços para cima e o custo de vida. 

O economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano, calcula que o aumento desta sexta-feira deve ter impacto de 0,2 a 0,25 ponto porcentual sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2022. 

O cálculo não leva em conta o efeito do corte do ICMS proposto pelo governo para reduzir os preços dos combustíveis. "É um impacto dividido entre junho e julho, usando a estrutura de impostos atual, ou seja, sem o efeito mitigador das medidas para reduzir o ICMS e tampouco da redução de PIS e Cide sobre a gasolina", explica Serrano.  


Já o economista da ASA Investments Leonardo Costa, calcula um impacto de 0,22 ponto porcentual sobre o IPCA deste ano. Costa aumentou as estimativas preliminares para o IPCA de junho (0,60% para 0,80%) e julho (0,07% para 0,29%). As mudanças, no entanto, não mudam a avaliação de que o pico da inflação em 12 meses ficou em abril.    

"Na minha expectativa, temos um IPCA que acelera a 12% nos 12 meses até junho, mas o pico anterior é de 12,13%. Não muda a visão em relação ao pico", diz o economista. Nos 12 meses encerrados em maio, o IPCA acumulava alta de 11,73%.

O economista espera que haja um aumento de 15% dos preços da gasolina no quarto trimestre. Mesmo assim, ele mantém a estimativa de um IPCA de 8,2% em 2022. "Esse reajuste é um deslocamento da inflação do fim do ano para os próximos meses", explica.

Para Flávio Serrano, da Greenbay Investimentos, o reajuste ainda é insuficiente para zerar a defasagem entre os preços domésticos e internacionais da gasolina, que deve continuar entre 5% e 10%. No diesel, por outro lado, a defasagem fica zerada.

Serrano manteve a projeção de um IPCA de 8,5% este ano, sem incorporar no cenário o impacto deste reajuste ou os efeitos das medidas de desoneração de combustíveis. "O efeito líquido, na verdade, ainda acaba sendo negativo", explica.

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