Reajuste de mensalidades escolares pressiona inflação

IPC-S de até 15 de janeiro subiu 0,23%, acima da taxa de 0,22% apurada na semana anterior

Alessandra Saraiva, de O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2009 | 17h48

Os reajustes nas mensalidades escolares levaram a inflação no varejo em São Paulo a leve aceleração entre a primeira e a segunda semana de janeiro. O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) de até 15 de janeiro subiu 0,23%, acima da taxa de 0,22% apurada na semana anterior. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, a taxa de elevação nos preços de cursos formais passou de 0,39% para 1,67% no período. "Estamos estimando que, até o final de janeiro, os preços dos cursos formais vão passar por uma elevação média mensal de 8% a 10%", afirmou o economista. Veja Também: Preço do material escolar pode variar até 233%, aponta Procon  Esse cenário impulsionou os preços do grupo Educação, Leitura e Recreação, que subiram de forma mais intensa no período (de 0,17% para 1,07%), sendo a classe de despesa que mais contribuiu para a taxa do IPC-S em São Paulo. Entre as sete pesquisadas para cálculo do índice, três apresentaram aceleração de preços, entre a primeira e a segunda semana do mês. Além de Educação, Leitura e Recreação, houve taxas de inflação mais intensas em Transportes (de variação zero para 0,10% ) e em Despesas Diversas (de 0,20% para 0,28%). Para o técnico do FGV, esse impacto de cursos formais na inflação do varejo em São Paulo é passageiro, e característico do primeiro mês do ano. "Não é algo que vá ter continuidade", observou o economista. Ele comentou que o impacto dos aumentos nos preços de cursos formais já é algo esperado nessa época do ano, tanto pelo mercado como pelo consumidor.  Outro aumento de preço sazonal foi o registrado em itens in natura, no setor de alimentação em São Paulo - cuja oferta é prejudicada por oscilações climáticas bruscas, que ocorrem costumeiramente no início do ano. Houve aumentos de preços expressivos em batata-inglesa (de 6,01% para 11,27%) e em cenoura (10,71% para 16,05%). "Mas não é uma pressão sustentável na inflação do varejo", voltou a ressaltar, comentando que esse tipo de aumento não é preocupante para a tendência de inflação no longo prazo. No caso do Rio de Janeiro, houve uma leve desaceleração na taxa do IPC-S (de 1,31% para 1,24%), influenciada por taxas de inflação menos intensas apuradas em Transportes (de 2,39% para 1,71%); e em Despesas Diversas (de 0,92% para 0,41%), no mesmo período. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro representam mais de 50% da inflação do varejo mensurada pelo IPC-S.

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