Reajuste de tarifas públicas levaria IPCA a 7,4%

Sem medidas como redução do IPI, desoneração da cesta básica e controle da tarifa de energia, inflação estouraria teto da meta, segundo a Tendências

Luiz Guilherme Gerbelli e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2013 | 02h05

A inflação estouraria o teto da meta este ano se o governo não tivesse segurado os preços em setores como energia e transporte público, promovido a desoneração da cesta básica e reduzido o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Um cálculo da consultoria Tendências indica que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminaria 2013 em 7,4% - acima do limite de 6,5%.

"A previsão de 7,4% também considera o reajuste do combustível para zerar a defasagem", diz Alessandra Ribeiro, economista da Tendências. Para este ano, a consultoria prevê uma alta do IPCA de 5,9% e de apenas 1,5% para os preços administrados.

Apesar do controle, a soma dos reajustes de alguns preços administrados já deve trazer um efeito para a inflação na reta final deste ano. Entre os aumentos considerados pela maioria dos profissionais consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, estão o aumento médio de 4,68% para os consumidores residenciais da Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro; a alta de 6,72% na conta de luz de moradores de 28 municípios de São Paulo atendidos pela Bandeirante; e o aumento de 13,30% aplicado pela Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D), do Rio Grande do Sul. Além disso, alguns economistas também levam em consideração o aumento nos preços dos cigarros da Souza Cruz, aplicados no último dia 2.

De acordo com o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, o efeito total seria algo próximo de 0,11 ponto porcentual no IPCA de 2013 que, dessa forma, encerraria o período com alta de 5,73%. "Impacto de 0,06 ponto dos cigarros; 0,02 da Sabesp e 0,03 ponto das elétricas (juntas)", calculou Souza Leal.

Em 2014, a expectativa da Tendências é que os preços administrados subam 4,5%. Nesse cálculo, está excluído um aumento de combustível, e os reajustes dos principais contratos de energia elétrica, água e esgoto seguem as regras atuais. "O único item que está nesta conta e que pode não se concretizar é o reajuste de transporte público. A Prefeitura de São Paulo está sinalizando que pode usar o aumento do IPTU para bancar o reajuste do transporte. Outras cidades podem fazer o mesmo, o que reduziria a alta dos administrados para algo em torno 4%", diz Alessandra.

Na avaliação da economista, apesar da previsão de aumento dos preços administrados superior a de 2013, um pequeno choque pode ser suficiente para o estouro do teto da meta de 2014. "Não há margem para acomodar possíveis choques. Além disso, o governo está com o lado fiscal apertado", afirma Alessandra. A consultoria espera uma inflação de 6% no próximo ano.

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