Reajuste do salário de jovens é o menor desde 2004

Em 2013, crescimento real da renda média desses trabalhadores foi de 1,8%. O de adultos, chegou a 2,1%

IDIANA TOMAZELLI E VINICIUS NEDER , O Estado de S.Paulo

03 de março de 2014 | 02h06

Enquanto o crescimento real da renda média foi de 1,8% em 2013, a taxa de expansão verificada entre jovens de 18 a 24 anos foi de 1,3%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já os trabalhadores entre 25 e 49 anos tiveram ganho real de 2,1% no salário. Foi a primeira vez, desde 2004, que os jovens registraram ganhos menores do que os adultos.

Segundo especialistas, o crescimento mais lento dos rendimentos entre os mais jovens serve como desestímulo para a busca do primeiro emprego. Para o economista Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Ibre/FGV, nesse quadro, a tendência pode ser optar por estudar mais, reforçando, daqui por diante, o peso do "efeito composição" no avanço da renda, .

Para o economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper, uma mudança na participação dos jovens no mercado de trabalho só ocorrerá se o crescimento real da renda dessa faixa etária for mais acelerado do que a média.

Trabalhar ou estudar. "Na medida em que o salário do jovem aumenta, a probabilidade de ele entrar no mercado de trabalho aumenta também. Na hora em que o salário do jovem aumenta, ele vai pesar: é melhor ficar só na escola ou trabalhar também?", diz.

Com a desaceleração observada em 2013, Moura, do Ibre/FGV, acredita que a influência da menor participação dos jovens sobre o avanço da renda, daqui para frente, deve se firmar em uma contribuição em torno de 0,7 ponto porcentual, como foi no ano passado, em vez de oscilar entre impactos menores e maiores como anteriormente.

O pesquisador afirma que, se a renda real continuar em um ritmo fraco de crescimento daqui para frente, seguindo o compasso da expansão da atividade econômica, os jovens devem continuar estudando - incentivados pelos pais e sustentados pelos ganhos obtidos nos últimos anos.

"Sem ter um crescimento econômico vigoroso, não dá para ter um reajuste real dos rendimentos muito forte na economia", diz Moura.

Outro desafio é o aumento do "salário reserva" dos jovens. Esse conceito define o valor mínimo pelo qual alguém está disposto a sair de casa para trabalhar. Ainda que não tenha uma estimativa exata, Moura, do Ibre/FGV, sustenta uma hipótese de que esse mínimo tenha aumentado nos últimos anos, devido aos ganhos obtidos pelos pais, que proporcionaram melhores condições de vida e de estudos para os filhos.

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