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Reajuste é maior para profissional sem diploma

Segundo dados do IBGE, de 2003 a 2010 a remuneração do trabalhador com curso superior tem subido menos que a dos não diplomados

SILVIO GUEDES CRESPO, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h05

Enquanto empresas reclamam da falta de profissionais qualificados, pesquisas mostram que os maiores reajustes salariais têm sido destinados a quem não tem curso superior. Já a renda média de quem tem diploma universitário está praticamente estagnada.

Em 2007, quem tinha curso superior ganhava 168% mais do que aqueles que pararam no ensino médio, segundo um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Dois anos depois (dado mais recente), o número caiu para 156%.

Isso ocorre porque a remuneração dos menos instruídos tem subido mais que a dos diplomados. De 2003 a 2010, a renda dos que têm curso superior aumentou apenas 0,3%, ante 19% a da população ocupada em geral, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para especialistas, um dos fatores que explicam esse movimento é a política de reajuste do salário mínimo, que leva em consideração não apenas a inflação, mas o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "O salário mínimo vai aumentar 14% no ano que vem. Provavelmente vai ser o maior reajuste de todos", afirma o pesquisador Arnaldo Mazzei Nogueira, professor da FEA-USP e da PUC-SP.

Com o aumento do mínimo, os sindicatos passam a pressionar também por elevações maiores nos pisos das categorias, explica o economista Sérgio Mendonça, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O resultado é um reajuste maior para os cargos mais baixos e um pouco menor para as funções médias ocupadas por quem tem curso universitário.

Mendonça observa, ainda, que a maior parte das vagas criadas nos últimos anos oferece remuneração de dois a três salários mínimos e não exige diploma. Entre 2006 e 2010, foram criados 2,1 milhões de empregos para quem tem superior completo e 6 milhões para quem tem nível médio.

Diploma insuficiente. Outro fator que explica a estagnação salarial da população com curso superior é o fato de que cada vez mais pessoas entram nesse grupo - e nem todas obtêm aumento de remuneração assim que concluem o curso. "Ultimamente, ocorreu uma grande proliferação de cursos, alguns deles com qualidade contestável", afirma Constantino Cavalheiro, diretor da Catho Educação.

Apesar de a diferença entre os salários dos diplomados e dos não diplomados ser cada vez menor no Brasil, ela ainda é alta em comparação com países mais ricos e menos desiguais. Nos Estados Unidos, quem tem diploma universitário ganha 79% mais do que quem não tem; na Suécia, 26%. "Provavelmente está havendo uma distribuição de renda entre os assalariados, mas sem tocar nos ganhos de capital", avalia Nogueira.

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