Reajuste nos combustíveis pode levar IPCA de 2008 a 5,2%

Com a evolução dos preços do petróleo no mercado mundial, alta nos combustíveis já é cogitada no País

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

23 de abril de 2008 | 16h23

A evolução da alta do preço do petróleo poderá levar a um reajuste nos preços dos combustíveis no Brasil, com impacto entre 0,25 ponto a 0,50 ponto porcentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) anual, segundo estimam analistas. O economista Carlos Thadeu de Freitas, chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), disse que um eventual aumento de 10% no preço da gasolina geraria um impacto de 0,50 ponto no IPCA em 2008, que passaria de uma alta em torno de 4,7%, segundo a média das atuais projeções, para algo em torno de 5,2%. Veja também:Defasagem pode forçar reajuste em breve, diz analista Entenda os principais índices de inflação  Veja especial sobre a crise dos alimentos    Marcela Prada, da Tendências Consultoria, acredita que um reajuste de 10% definido pela Petrobras - caso a empresa venha a decidir pelo aumento - levará a um reajuste de 5% para os consumidores, com impacto de 0,25 ponto no IPCA. Segundo ela, esse seria a contribuição mínima do reajuste para a inflação, já que há também impactos indiretos gerados por aumentos de custos nas empresas, de projeção mais complicada. Marcela e Thadeu de Freitas divergem, entretanto, sobre a possibilidade de um reajuste na gasolina no Brasil ainda em 2008. Para a analista da Tendências, o quadro atual, de evolução de alta do preço do petróleo "há bastante tempo, aumenta a chance de um reajuste no preço interno". Ela lembra que o último reajuste foi definido pela Petrobras em setembro de 2005 e, ainda que a empresa não costume aumentar preços em períodos de alta volatilidade na cotação do petróleo, o cenário está ficando mais complicado, mesmo com a ajuda do câmbio apreciado. "A apreciação do câmbio está ajudando, mas os aumentos fortes do petróleo estão aumentando a defasagem entre o preço praticado no Brasil e a cotação externa do produto, que já chega a 30%. Para Thadeu de Freitas, "há dúvidas" se a gasolina vai aumentar, mesmo se prosseguir a pressão do preço do petróleo. "Acho que não vai subir, o governo vai analisar com cuidado, antes, a tendência do petróleo e do dólar", disse. Segundo ele, a questão é que a cotação dessa commodity tem subido mais em conseqüência de apostas no mercado do que de aquecimento da demanda, e isso torna mais difícil prever o comportamento dos preços do produto. "Se a taxa de juros nos Estados Unidos na semana que vem tiver uma nova pequena queda, como é esperado, poderá levar a alguma valorização do dólar, o que derrubaria um pouco o preço das commodities em geral e, assim, não haveria motivo para aumento da gasolina", disse Thadeu de Freitas. Ele lembra que o Banco Central não projetou aumentos da gasolina em 2008 no seu relatório de inflação. Marcela ressaltou, entretanto, que o BC tem sublinhado que o risco de reajuste vem aumentando com a elevação forte do preço do petróleo.  Riscos Junto com os preços do petróleo, a elevação dos preços dos alimentos é o principal risco de alta da inflação para este ano. Economistas ouvidos pela Agência Estado não acreditam que as perspectivas de aumento destes dois segmentos de produtos para os próximos meses devam exigir a mudança de suas projeções para o IPCA relativo a 2008. No entanto, os especialistas ponderam que caso as pressões de aumento destas commodities continuem no curto prazo, será inevitável subir suas estimativas para aquele indicador oficial para este ano. Na avaliação do economista-chefe do banco Morgan Stanley, Marcelo Carvalho, o desempenho dos preços de alimentos desde o começo do ano surpreende, pois já acumula alta de 3%, marca que supera a metade da elevação próxima de 5,5% que ele prevê para estes produtos dentro do IPCA. Para ele, boa parte deste movimento inesperado de alta dos alimentos está relacionada à evolução das cotações internacionais destas mercadorias, portanto os fatores internos influenciam menos neste movimento de alta. "A nossa projeção para o IPCA para este ano é um avanço de 4,4% para este ano, mas se os preços dos alimentos mantiverem a atual dinâmica de elevação, pode ser que precisemos subir a previsão relativa a 2008", comentou. Embora os preços dos alimentos tenham apresentado uma elevação expressiva desde o início do ano, a economista da Marcela, da Tendências, pondera que a previsão para este segmento de produtos dentro do IPCA é de uma alta de 5%, inferior ao incremento de 10,75% registrada em 2007. Para ela, o desaquecimento da economia global, promovido basicamente pela crise econômica dos EUA, deve colaborar para arrefecer nos próximos meses o ritmo de expansão das cotações das commodities, inclusive as alimentícias. (com Ricardo Leopoldo, da Agência Estado)

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