Reajuste salarial e câmbio são grandes desafios, diz presidente da Embraer

Frederico Curado disse que, mesmo com o câmbio desfavorável às exportações, o Brasil não pode perder sua competitividade

Suzana Inhesta, da Agência Estado,

09 de novembro de 2010 | 17h09

O presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, afirmou que a depreciação do dólar ante o real e o reajuste salarial de 9% aprovado hoje - por funcionários do primeiro turno de três unidades da empresa, para salários de até R$ 8 mil, e um fixo de R$ 720 para quem recebe acima desse valor - são os "grandes desafios" da companhia para os próximos períodos. "A matemática é fácil de fazer: no ano passado tivemos reajustes salariais de 6%, neste ano mais 9%. Eu exporto 90% da minha produção, ou seja, 90% da minha receita é em dólar. Então, minha receita caindo em reais e os custos subindo, o desafio é enorme", disse Curado a jornalistas, após participar de uma palestra no evento Brazil Summit 2010, em São Paulo.

Segundo o executivo, mesmo com o câmbio desfavorável às exportações, o Brasil não pode perder sua competitividade. "Não é só (no) câmbio que tem que fazer algo. Temos que fazer políticas industriais", declarou, completando que tem visto "uma mobilização, uma consciência do empresariado".

Curado afirmou ainda que a participação das vendas domésticas na receita da companhia deve se manter entre 10% e 12% em 2010 e em 2011. A primeira vez que a receita proveniente de negócios feitos no País atingiu 10% foi no ano passado.

Já sobre o aumento de participação das vendas na América Latina, o executivo não quis citar um porcentual. "Essas coisas andam meio devagar, porque os ciclos na aviação são longos, as entregas são feitas, na média, em dois anos após os pedidos. Mas países como Colômbia, Chile, Panamá estão crescendo", explicou, ressaltando que outras regiões como Ásia, China, Oriente Médio também estão apresentando aumento em seus pedidos à companhia.

Sobre o desenvolvimento de um novo avião, o presidente da Embraer afirmou que ainda não há data para o lançamento. "Nunca tinha dito data disso e sempre falei que o mercado nos diria qual seria o momento certo. Vamos aguardar o que a Boeing e a Airbus vão fazer, além das tecnologias de motores que virão para tomarmos a decisão certa na hora certa", afirmou. Em relação às novas intenções de pedidos de cargueiros militares (KC 390) - modelo que está sendo produzido para o governo brasileiro -, Curado declarou que os países que demonstraram interesse até o momento são China, República Tcheca, Colômbia, Chile e Portugal.

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