Reajustes não devem impulsionar ações de elétricas

O reajuste anual das tarifas de energia não é motivo para provocar uma alta das ações dos setor de energia, dizem os analistas. Já uma elevação acima do previsto poderia provocar alguma reação no preço dos papéis. A projeção de reajuste anunciada pelo Banco Central (BC) na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de 30%, não é a perspectiva dos analistas e, caso se conforme, pode beneficiar as ações do setor. Mas isso vai depender dos motivos para uma alta desta magnitude. A analista do setor elétrico e de saneamento da Itaú Corretora, Luciana Puccetti, explica que se a alta de 30% das tarifas levar em conta a expectativa de alta do dólar ou dos índices de inflação, a reação no mercado acionário será ruim, já que este cenário englobaria também juros elevados. "A Bolsa perde atratividade com as taxas em alta, pois o investidor tem a possibilidade de conseguir um bom rendimento no mercado de renda fixa sem correr o risco do mercado acionário", explica Luciana Pucetti Mas, se a alta de 30% for provocada por um reajuste extraordinário acima do esperado, as perspectivas para as ações das empresas do setor poderiam apresentar alguma melhora. Os analistas aguardam que este reajuste, que é motivado pelas perdas decorrentes do racionamento de energia, fique em torno de 5%. Setor de energia tem muitas incertezas As perspectivas para o setor de energia ainda são muito incertas, segundo os analistas. Isso porque o abrandamento das metas de energia não significa que o racionamento chegou ao fim. Além disso, os investidores esperam que, a partir de 2003, este segmento tenha um mercado mais livre, sem o controle do governo sobre o reajuste das tarifas de energia. E, caso isso não aconteça, a perspectiva de ganho com estas ações pode ser menor. Entre as ações do setor, os papéis da Cemig são os mais recomendados pelos analistas. Segundo Luciana Pucetti, as ações da empresa estão muito depreciadas em função das incertezas provocadas pelo atual governador de Minas Gerais, Itamar Franco. Caso o governador deixe seu cargo para concorrer à presidência da República no próximo ano, os papéis da companhia poderão se valorizar. Para o gerente de análise de investimentos do HSBC CTVM Research, Fernando Aoad, outra opção de investimento no setor são as ações da Copel. "A empresa gera, transmite e distribui e, portanto, sofre menos com o controle do governo sobre as companhias geradoras", afirma. Ele acredita que os papéis da Copel são mais vantajosos. Um dos motivos, segundo ele, é a perspectiva de que a empresa seja privatizada em breve. "O leilão já foi adiado uma vez e acredito que nova data seja marcada para antes do final de janeiro de 2002. Isso porque 70% do ágio das ações pertencentes ao BNDES seria repassado para o governo do Estado, caso o leilão aconteça até o final de janeiro. A partir daí, o percentual cai e as vantagens para o governo paranaense diminuem", avalia Aoad. O preço-alvo estipulado por Aoad para as ações da Copel é de R$ 23,68 em 12 meses, o que representa uma perspectiva de ganho de 46,80% no período, em relação ao fechamento de ontem. "O ganho é bem superior à perspectiva de valorização da Bolsa para o mesmo período, de 26,19%", afirma. Já o preço-alvo das ações da Cemig estipulado por Aoad é de R$ 43,00 para o prazo de 12 meses, o que poderá proporcionar um rendimento de 26,06% em relação aos últimos negócios de ontem. Fundos setoriais Algumas instituições oferecem fundos setoriais de energia - formados por ações de empresas do setor. Para Aoad, este não é um bom momento para investir neste tipo de fundos, já que as perspectivas para as empresas do setor estão muito distintas. "O melhor é escolher os papéis das melhores empresas. No fundo setorial, o risco é maior", diz. Vale destacar que a compra de ações de uma única empresa aumenta o risco da aplicação, já que o investidor está concentrando os seus recursos. Para diluir o risco, o ideal é que o investidor organize uma carteira com 10 a 12 ações. Para isso, terá que selecionar os papéis e comprá-los diretamente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) por meio de uma corretora. Para quem não tem condições de fazer esta análise e escolher os melhores papéis e acompanhar regularmente esta composição, o ideal é investir em fundos de ações. O trabalho de análise, seleção e a operação serão conduzidos pelo gestor do fundo e o investidor pagará por isso uma taxa de administração que incide sobre o total dos recursos. Esta taxa diminui o rendimento do fundo e o investidor deve pesquisar para não pagar uma taxa fora dos parâmetros do mercado. Vale lembrar que só deve ser direcionado para o mercado de ações os recursos que não têm uma data definida para resgate. As perspectivas são boas para o próximo ano, mas o grau de oscilações deve ser muito elevado, segundo os analistas. Se a aplicação tem data definida para resgate, o risco é que as ações estejam em baixa no momento do saque e, neste caso, o investidor perderia dinheiro.

Agencia Estado,

07 Dezembro 2001 | 14h12

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