Reajustes salariais não afetarão inflação

A retomada do crescimento do rendimento médio dos trabalhadores não irá afetar os índices de inflação, pelo menos até fim do ano que vem. Segundo economistas, o risco dessa recuperação dos rendimentos provocar aumento da demanda a ponto de pressionar os preços é quase nulo, já que a massa salarial caiu por 18 meses seguidos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados do IBGE indicam que o primeiro semestre do ano terminou com queda de 2,1% no rendimento médio real das pessoas ocupadas. De junho do ano passado para junho deste ano, a renda, após 18 meses em queda, aumentou 0,8%, em função do crescimento em quatro das seis regiões metropolitanas pesquisadas. Para o consultor da MB Associados Celso Toledo, a tendência é de que os salários tenham reajustes, na melhor das hipóteses, no mesmo patamar dos índices de inflação. O economista reforça que, nos níveis em que se mostra, o aumento do rendimento ainda é tímido para provocar crescimento de vendas suficiente para afetar os preços.O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo, salienta que, para que a recuperação da renda real sirva de combustível para o crescimento da demanda, é preciso que os aumentos salariais superem a inflação futura. Do contrário, o valor a mais a ser recebido servirá para cobrir, em parte, perdas passadas do poder aquisitivo. Heron lembra, como exemplo, que o IPC acumulado de 2,97% em julho e agosto na Grande São Paulo corresponde a praticamente metade dos reajustes salariais anuais concedidos até agora. O economista acrescenta ainda que os itens que mais contribuíram para o aumento do custo de vida têm imposto embutido, o que também colabora para enxugar a demanda.

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