Real forte e custos em alta derrubam lucro da Aracruz

Faturamento da empresa no 2º tri caiu 18% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 262,1 milhões

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

07 de julho de 2008 | 09h11

A maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo, a Aracruz, registrou queda em seus resultados do segundo trimestre, apesar de dois reajustes de preços de seus produtos no período e demanda em alta. Os resultados da empresa, que exporta quase a totalidade de sua produção, foram impactados por aumento de custos de produção e também pela valorização de real no período contra o dólar, o que acabou anulando o reajuste dos preços efetivados no trimestre. De acordo com comunicado da empresa, o custo caixa de produção ficou 10% acima do verificado no trimestre anterior, efeito do aumento dos custos com madeira, matérias-primas (principalmente energéticos e químicos) e um problema no turbogerador da Veracel, fábrica da empresa na Bahia operada em conjunto com a Stora Enso . A valorização média do real contra o dólar no trimestre, de 5% segundo a empresa, "anulou o maior preço da celulose em dólar e o maior volume de vendas". O lucro líquido da Aracruz nos três meses encerrados em junho caiu 18% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 262,1 milhões. Mas em comparação com o primeiro trimestre, acabou subindo 56%, impulsionado por ganhos financeiros com operações cambiais e também sobre a dívida em dólar da companhia. A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 354,4 milhões, recuo de 18% sobre o segundo trimestre de 2007 e de 3% sobre os primeiros três meses de 2008. A margem Ebitda caiu 4 pontos percentuais na comparação com um ano antes, para 40%. O resultado da Aracruz em dólares, de acordo com normas norte-americanas (US GAAP), apontou lucro líquido no trimestre de US$ 71,3 milhões, queda de 42% sobre o segundo trimestre de 2007. O Ebitda foi de US$ 225 milhões, com margem de 42%. Analistas consultados pela Reuters previam, em média, lucro líquido US$ 95 milhões e Ebitda de US$ 224,5 milhões, considerando as normas norte-americanas. OperaçãoA empresa encerrou o trimestre com produção de 788 mil toneladas de celulose, alta de 3% sobre o segundo trimestre de 2007 e queda de 1% sobre os primeiros três meses do ano. Já as vendas da matéria-prima do papel somaram 773 mil toneladas, queda 7% ante o vendido um ano antes e alta de 6 por cento frente ao primeiro trimestre. A Aracruz tem meta de atender 25% da demanda global por celulose de fibra curta até 2015, equivalente a 7 milhões de toneladas anuais. Por conta disso, a empresa deve anunciar no terceiro trimestre um projeto de expansão, de 1,4 milhão de toneladas, depois de ampliar as operações da Veracel, juntamente com a Stora Enso, e de aumentar sua unidade em Guaíba, no Rio Grande do Sul. A companhia informou que nos primeiros cinco meses do ano, a demanda por celulose de eucalipto subiu 22% em relação ao mesmo período de 2007, puxada por expansão de 66 por cento ocorrida na China. O país, em 12 meses até maio, importou um recorde de 7,3 milhões de toneladas de celulose do mercado, segundo a Aracruz.

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