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Real forte preocupa, diz Mantega

Segundo ministro, valorização da moeda brasileira ?atrapalha? o setor produtivo, os exportadores e a agricultura

Anne Warth e Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que o recente crescimento do fluxo de dólares para o Brasil, que tem provocado expressiva valorização do real, é uma fonte de preocupação para o governo. No ano, a moeda americana já acumula queda de 13,2%. Ontem, fechou o dia cotada a R$ 2,027. Na avaliação de Mantega, o movimento tem um lado positivo e outro negativo. Ao mesmo tempo em que reflete a confiança no País em um momento de crise global, traz dificuldades para o setor produtivo, notadamente para os exportadores."Essa valorização do câmbio já é um reflexo desse entusiasmo dos outros países para virem para o Brasil", disse o ministro, após participar de seminário promovido pela revista Carta Capital na capital paulista. Em compensação, observou, "é claro que atrapalha". "Atrapalha o setor produtivo, os exportadores, a agricultura, etc. Então, de fato, ela é uma fonte de preocupação." O ministro destacou que o Banco Central (BC) já voltou a adquirir dólares para conter essa alta excessiva e, com isso, recompor as reservas internacionais. "Isso é muito bom, porque neste momento seríamos um dos poucos países aumentando nossas reservas para manter o País sólido. Devemos olhar pelo lado positivo. São mais investidores externos interessados no Brasil", ressaltou.Questionado se a valorização cambial poderia acelerar a queda da taxa básica de juros (Selic), Mantega respondeu que o BC já deu sinais de que haverá continuidade na diminuição da Selic. "(Henrique) Meirelles tem falado nisso e, portanto, acredito que essa é a direção correta", declarou. Mantega também indicou que o governo continua preocupado com o spread bancário (diferença entre o juro que as instituições pagam na captação do dinheiro e o que cobram dos clientes nos empréstimos). "Temos de reduzir mais fortemente os spreads, de todos os bancos, dos privados e dos públicos também. Mesmo que tenha havido alguma melhora, temos de reduzir muito mais e é isso que vamos fazer", disse. Mantega voltou a adotar um discurso otimista sobre as perspectivas de crescimento do Brasil. Segundo ele, a economia brasileira deverá retomar um nível de expansão entre 4% e 5% já em 2010. A projeção do mercado, segundo o mais recente relatório Focus do BC (que resulta de uma pesquisa com bancos e consultorias), é de 3,5%. "Acredito numa crise mais curta, em que todos os países já estarão com crescimento positivo em 2010. Alguns em níveis modestos, mas países como o Brasil já poderão em 2010 alcançar um crescimento de 4% ou 5%, voltando ao crescimento do ano passado", afirmou.Mantega destacou que um dos principais sinais de que a economia brasileira está se recuperando é a produção de veículos. De acordo com o ministro, o Brasil já é o sexto maior fabricante mundial do setor e "certamente vai ultrapassar os países europeus". Ele lembrou, ainda, que Brasil e Alemanha são os únicos países do mundo em que a produção de veículos no primeiro trimestre deste ano foi maior que a do mesmo período de 2008. "Isso mostra como a política econômica tem surtido mais efeito aqui do que em outros países."Mantega citou também a recuperação do mercado de trabalho no País. Em abril, o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho ficou positivo em 106.205 vagas. "Nós sofremos também alguma perda de empregos no momento imediatamente posterior à crise, mas também já estamos criando novos empregos, o que é hoje raro no mundo, uma vez que na maioria dos países está havendo aumento do desemprego", disse, citando como exemplo os Estados Unidos, onde a perda de empregos mensal tem variado de 500 mil a 700 mil.

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