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Real valorizado pode afetar investimentos da Nestlé no Brasil

A valorização do real em comparação ao dólar pode fazer a Nestlé repensar alguns de seus futuros projetos de investimentos no Brasil. O alerta é do presidente da companhia para as Américas, Paul Bulcke. O presidente mundial da Nestlé, Peter Braback, deixou claro que a empresa continuaria com um crescimento de vendas no Brasil em 2007, seja com uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silvas nas eleições ou de Geraldo Alckmin. Mas seus executivos advertem que, apesar do bom desempenho das vendas no mercado doméstico, o real valorizado pode ter um impacto nos planos da empresa. Bulcke explicou que parte dos investimentos feitos no Brasil nos últimos anos foi para criar uma base de exportação, principalmente de café solúvel, para outros mercados."A moeda é um problema", admitiu Bulcke. Segundo ele, os problemas não estão ligados principalmente às exportações para a América Latina, já que certas economias da região também tiveram suas moedas valorizadas em 2006 e, portanto, as vendas continuaram competitivas. "O principal obstáculo é para exportar para os Estados Unidos ou Europa", afirmou. "Se continuar com o mesmo nível do real, e não temos motivos para pensar que vai baixar, podemos ter de rever alguns futuros planos que temos", alertou Bulcke. De fato, de acordo com o executivo, o cenário político não tem influência nesta decisão. "Conhecemos bem a política de Lula e sabemos que vai mantê-la se for reeleito. De fato, Lula se mostrou um presidente surpreendentemente tradicional em sua política econômica. Já o outro candidato (Alckmin) adotaria uma política econômica também na mesma linha. Portanto, devemos continuar com bons resultados", afirmou Brabeck.Nestlé x GarotoA Nestlé aguarda para o final deste ano ou início de 2007 uma decisão da Justiça sobre a aquisição da Garoto. A empresa multinacional comprou a companhia brasileira em 2002, mas o Cade (Conselho de Administrativo de Defesa Econômica) freou o processo, alegando que se criaria uma situação de monopólio no setor de chocolates no País. "Não vamos desistir", afirmou ao Estado o presidente mundial da Nestlé, Peter Brabeck. Sem conseguir convencer o Cade a aprovar o negócio, a multinacional levou o caso à Justiça."Não há porque abandonar o caso agora. A operação funcionou bem e estamos trabalhando em boa sintonia com a Garoto", afirmou o executivo. Segundo seus conselheiros, a empresa está fornecendo todas as informações que a Justiça está pedindo. "Não acredito que o problema (para a aquisição) seja político", estimou Brabeck.Esse é o único caso de aquisição da Nestlé no mundo que está em um tribunal. Segundo os executivos em Vevey, na sede mundial da empresa, vários diretores e pessoas envolvidas no caso continuam fazendo viagens constantes à São Paulo e Brasília para tratar do assunto. Na Nestlé, a opção de um Plano B nem sequer é mencionada. "A Garoto é da Nestlé", afirmou um dos executivos da empresa. Apesar do interesse da companhia pelo setor de chocolates no Brasil, os números referentes aos nove primeiros meses do ano da Nestlé mostram que as vendas desses produtos no mundo foram os que menos cresceram entre toda a gama de marcas da companhia. Entre janeiro e setembro desse ano, as vendas de chocolates e biscoitos aumentaram em apenas 1,7% no mundo, contra um aumento de quase 8% de bebidas. Brabeck admite que o mercado hoje não é mais para barras de chocolate com altos índices de energia. "O consumo muda e hoje a demanda é por produtos mais leves entre os chocolates", afirmou.

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