Evaristo Sa|AFP
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Rebaixamento pela Fitch indica preocupação e é preciso agir, diz Levy

Segundo o ministro da Fazenda, a resposta está na aprovação das medidas do ajuste fiscal necessárias para a retomada do crescimento

Igor Gadelha e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 13h22

Texto atualizado às 14h43

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avaliou como "séria" a perda do grau de investimento do Brasil pela Fitch e defendeu que "é "preciso agir". Segundo ele, a resposta está na aprovação das medidas do ajuste fiscal necessárias para a retomada do crescimento. Levy permaneceu em silêncio todas as vezes em que foi questionado sobre se permanecerá no governo.

"A perda do grau de investimento é séria e por isso temos que agir", afirmou em entrevista coletiva após reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Para o ministro, o rebaixamento "indica preocupação" de que tudo que o Brasil precisa fazer não tem sido feito no "passo necessário". Segundo ele, a "atenção" sobre essas questões tem sido desviada por assuntos diversos, que fogem à área econômica. 

Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que a decisão da Fitch remete às dificuldades causadas pelo ambiente político e à capacidade e determinação do governo em implantar medidas para corrigir o déficit orçamentário de 2016, por meio de políticas voltadas a resultados fiscais consistentes com uma trajetória mais benigna de endividamento público.

Em tom otimista, a nota da Fazenda afirmou que "apesar dos indicadores de curto prazo e da incerteza atual, a economia brasileira tem fundamentos positivos e sólidos". A Pasta disse ainda que, para alcançar seus objetivos, inclusive o de superávit primário, o governo tem exercido a disciplina no gasto discricionário e sinalizado a importância de enfrentar os gastos obrigatórios, inclusive da Previdência Social. 

"Além disso, com o apoio da maioria do Congresso Nacional, tem promovido a votação de novas receitas, que respondam às demandas da economia e da sociedade, distribuindo o esforço fiscal de maneira equitativa entre os diversos segmentos de renda da população e criando um ambiente favorável à desindexação e ao financiamento, notadamente de longo prazo, da economia nacional", afirmou o ministério. 

'Brasil não pode parar'. Levy afirmou que, mais importante do que a discussão sobre porcentual da meta fiscal de 2016, é garantir os meios para que ela seja alcançada. Questionado se permanecerá no cargo após o governo articular a aprovação da meta de 0,5%, o ministro permaneceu no calado.

O ministro afirmou que conversou com Renan para garantir a continuidade das votações no Senado e no Congresso Nacional. Ele ressaltou a necessidade de aprovar as medidas provisórias 690, 692 e 694, propostas com importante impacto fiscal e consideradas por ele como a "semente do crescimento" e da retomada do crescimento da economia. Levy afirmou que Renan expressou apoio do Senado a votação dessas matérias. 

"O Brasil não pode parar", afirmou o ministro, destacando que o Congresso tem sempre dado apoio a aprovação do ajuste fiscal. De acordo com Levy, com o tempo, o Brasil será maior. Ele destacou que a economia brasileira tem fundamentos positivos e sólidos.

O ministro rechaçou que o rebaixamento signifique fuga de investidores do País. "As pessoas querem investir no Brasil", disse. Prova disso, destacou, foi o sucesso do leilão das usinas hidrelétricas, que, segundo ele, deve injetar US$ 4 bilhões no País. "Pela primeira vez sem pegar dinheiro do BNDES", destacou. Na avaliação de Levy, isso mostra que os investidores têm confiança no País. 

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