Carlos Severo/Fotos Públicas
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Apesar de corte de nota pela Fitch, dólar recua para R$ 3,80

Manutenção do grau de investimento foi visto como positivo pelo mercado financeiro

Paula Dias, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 12h17

Em um dia de intensa alternância entre altas e baixas, o dólar fechou em queda de 0,47%, cotado a R$ 3,80. A principal notícia da quinta-feira foi a decisão da agência de classificação de risco Fitch de rebaixar o rating de longo prazo do Brasil de BBB para BBB-, com perspectiva negativa. Mesmo com o corte na nota, o Brasil ainda mantém o grau de investimento.

Apesar de a notícia do rebaixamento já ser esperada pelo mercado, o dólar respondeu com alta imediata, atingindo a máxima de R$ 3,875 (+1,49%), na contramão da tendência internacional de desvalorização da moeda americana. A pressão, no entanto, perdeu força ao longo da tarde, quando as cotações passaram a alternar pequenas altas e baixas.

A interpretação dos analistas é de que o rebaixamento em apenas um degrau já estava embutido nos preços do dólar. Além disso, havia em parte do mercado o temor de que a agência pudesse promover um corte de dois níveis de uma só vez, retirando o selo de bom pagador do País, o que não ocorreu. 

Com o noticiário político bastante escasso, o mercado acompanhou de perto a divulgação de indicadores econômicos e declarações de executivos internacionais. Nos EUA, houve melhora no núcleo da inflação e redução no número de pedidos de auxílio-desemprego. Mas os dados não foram suficientes para reduzir a percepção de que o Federal Reserve irá adiar a elevação dos juros, alimentada ontem por indicadores fracos e pelo Livro Bege. Com isso, o dólar perdeu valor frente moedas importantes, aumentando o apetite dos investidores estrangeiros pelo risco dos países emergentes. 

Em discurso feito pela manhã, Ewald Nowotny, integrante do conselho diretor do Banco Central Europeu, afirmou que o BCE está "claramente descumprindo" sua meta de inflação anual, que é de taxa ligeiramente abaixo de 2%, em meio ao fraco crescimento da zona do euro. Segundo Nowotny, que também é presidente do BC da Áustria, o principal fator por trás da inflação baixa é a "dramática" queda nos preços do petróleo. 

"Precisamos de expansão econômica mais forte, que reduza o desemprego e nos traga mais próximos de nosso objetivo de estabilidade dos preços", concluiu o executivo. As declarações de Nowotny acabaram por reforçar as apostas de adoção de novos estímulos às economias da Europa, beneficiando também ativos de mercados emergentes.

Ações. A Bovespa colou na Bolsa norte-americana e fechou em alta, depois de ter caído nas duas sessões anteriores. O rebaixamento da nota soberana do Brasil pela Fitch acabou trazendo volatilidade aos negócios, mas o sinal positivo predominou. 

A Bolsa brasileira terminou o dia em alta de 0,96%, aos 47.159,80 pontos. Hoje houve a OPA (operação de fechamento de capital) da Souza Cruz, que movimentou R$ 9,328 bilhões, segundo a Bolsa. 

Profissionais comentaram que a Bovespa ganhou aderência ao mercado norte-americano, onde as bolsas subiram diante da percepção de que o aumento de juros pelo Federal Reserve deve ficar para 2016. O Dow Jones terminou em alta de 1,28%, aos 17.141,75 pontos, o S&P avançou 1,49%, aos 2.023,86 pontos, e o Nasdaq subiu 1,82%, aos 4.870,10 pontos. 

Na Bovespa, Petrobrás, que pela manhã caía com o preço do petróleo e com o adiamento de uma emissão de debêntures, acabou virando para cima e ajudando a fortalecer o índice à vista. Petrobrás ON subiu 1,05% e a PN, 0,50%. 

Bancos, por outro lado, terminaram em baixa, influenciados pela downgrade da Fitch e também pelo rebaixamento de recomendação feito pelo Citi. Bradesco PN, -0,35%, Itaú Unibanco PN, -1,66%, BB ON, -1,43%. Santander unit subiu 1,01%. 

(Com Claudia Violante)

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