André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Rebaixamento da nota não altera intensidade do ajuste em curso, avalia BC

De acordo com o Banco Central, a consolidação da posição fiscal seguirá avançando e se prevê uma 'importante desinflação' em 2016

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 13h54

BRASÍLIA - O Banco Central divulgou nota à imprensa para comentar o rebaixamento do País feito pela agência de classificação de risco Fitch. A agência Standard & Poors também já havia anunciado o rebaixamento do País em 9 de setembro deste ano. "A reclassificação da nota soberana do País pela Agência Fitch não altera o sentido ou a intensidade do ajuste macroeconômico em curso, que já demonstra resultados concretos", trouxe o comunicado do BC.

De acordo com a instituição, a consolidação da posição fiscal seguirá avançando e se prevê uma "importante desinflação" em 2016. Apesar de contar com a desaceleração dos índices de inflação no ano que vem, em especial dos preços administrados, vale lembrar, no entanto, que a autoridade monetária se propôs à tarefa de conter a alta dos preços no ano que vem para um patamar entre o centro (4,5%) e o teto (6,5%) da meta e que prevê a convergência da inflação para o objetivo de 4,5% apenas em 2017. De qualquer forma, o BC acredita que esses fatores serão "essenciais" para a recuperação da atividade econômica em "bases sustentáveis" à frente.

"O Brasil possui robustos colchões de liquidez para atenuar ajustes nos preços de ativos e para mitigar excessiva volatilidade no mercado", trouxe a nota. Para o BC, esses colchões garantem uma "sólida posição de liquidez internacional" porque as reservas internacionais do País são cerca de dez vezes maiores que o estoque da divida soberana externa.

As reservas internacionais somam hoje aproximadamente US$ 370 bilhões. Apesar de apelos feitos por parte do mercado financeiro em setembro, após o rebaixamento pela S&P, o BC preferiu não usar recursos dessas reservas para atuar no mercado de câmbio. Preferiu usar instrumentos como leilões de linha (operação conjugada de venda de spot com recompra a termo) e leilões de swap cambial. Ontem mesmo, em audiência pública no Senado, o presidente Alexandre Tombini ressaltou que as intervenções do BC visaram a diminuir a oscilação de preços e à proteção de agentes, e não a determinar um patamar específico para o dólar. 

O BC salientou ainda no comunicado que a "expressiva" redução no déficit em conta corrente ocorrido em 2015 e a indicação da intensificação dessa tendência em 2016 são indicadores da solidez da situação externa do Brasil. A previsão atual do BC é de um rombo de US$ 65 bilhões das transações correntes este ano. Na segunda-feira da semana que vem é possível que a instituição ainda revise esse número quando divulgar a nota do setor externo.

A autoridade monetária ressaltou ainda no documento divulgado que a economia brasileira vem recebendo fluxos "relevantes" de investimentos diretos e de carteira. A projeção do BC para o ingresso de Investimento Direto no País em 2015 é de US$ 65 bilhões e, segundo dados atualizados hoje pela instituição, o fluxo cambial acumulado do ano está levemente maior do que US$ 10 bilhões. Os prognósticos à frente, segundo a instituição, indicam a continuidade dessa tendência.

"Esse conjunto de fatores, entre outras características de higidez da economia nacional, deixam o País preparado para mudanças nos cenários econômicos interno e externo." 

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