Rebaixamento não deve afetar empresas, diz Merrill Lynch

O chefe de pesquisa de renda fixa e economia para a América Latina do banco norte-americano Merrill Lynch, Felipe Illanes, disse à Agência Estado que o rebaixamento dos títulos da dívida brasileira, anunciado hoje, motivado pela iminência de guerra dos Estados Unidos com o Iraque, foi uma decisão restrita à carteira de investimentos em renda fixa. "Não é uma opinião de crédito e não acredito que isso vá afetar o fluxo de crédito para as empresas brasileiras", diss.Illanes argumentou que o banco adotou uma "posição mais defensiva" por causa do agravamento da situação em relação ao Iraque e decidiu fazer uma realocação da carteira-modelo de investimentos de renda fixa em mercados emergentes. "Continuamos a ver de maneira construtiva a formação de políticas do novo presidente Lula. Esta é apenas uma preocupação externa em relação ao índice de aversão ao risco e a sua relação com o spread da dívida brasileira", disse o analista, lembrando que a previsão é de que esta nova avaliação vigore por aproximadamente um mês.Para o analista, o importante agora será a observação de dois fatores: o tempo de duração da provável guerra e o que classificou de "efeitos colaterais" do conflito, que seriam uma onda terrorista deflagrada pelo Iraque em represália a um possível ataque norte-americano. A posição do Brasil fica mais vulnerável neste quadro porque, como disse o analista, o País tem uma das mais altas taxas de aversão de risco entre os países emergentes.

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