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Rebaixamento pela Fitch vai ter pouco efeito no mercado, avaliam economistas

Segundo especialistas, corte anunciado pela Fitch nesta quinta-feira aconteceu para 'tirar o atraso' em relação às demais agências

André Ítalo Rocha e Suzana Inhesta, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2016 | 20h14

O novo rebaixamento do rating do Brasil pela Fitch, de BB+ para BB, com perspectiva negativa, vai ter pouco efeito no mercado nesta sexta-feira, conclui o economista-chefe da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio, José Marcio Camargo. 

"Esse movimento foi mais para tirar o atraso do que representatividade para um novo governo. Faz sentido agora, porque o Brasil chegou nessa situação com o governo atual e não com um próximo", disse.

O economista Luiz Fernando Castelli, da GO Associados, faz avaliação semelhante. Para ele, a Fitch está tão atrasada em relação às demais que os comentários sobre o governo no relatório de hoje parecem dizer respeito ao cenário de janeiro. 

Para Camargo, se o governo de Dilma Rousseff continuar, um novo ciclo de rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de risco é mais provável de ocorrer. Entretanto, se houver mudança no comando do governo e se o mesmo incrementar novas medidas que melhorem, já de início, as expectativas dos agentes, as agências podem vir a revisar as perspectivas das notas, que hoje estão negativas.

"Mas isso não ocorrerá neste ano. 2016 está dado: teremos uma retração de PIB de 4% e inflação entre 7,5% e 8%. Não há muito o que fazer nesse ano", ressaltou.

Segundo Castelli, um possível governo Michel Temer traria "algum tipo de esperança, que antes não existia". "Não que a situação vai ficar fácil com Temer no governo, pelo contrário; mas existe uma expectativa de melhora", avalia.

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