Recall: descubra se carro passou pelo reparo

Descobrir se um automóvel já constou de alguma lista de recall e, mais importante ainda, se foi feito o reparo necessário é uma tarefa árdua para o comprador de usados no Brasil. Com o grande número de convocações para a reparação de automóveis que saíram de fábrica com algum defeito, o interessado precisa de muita paciência para tentar descobrir se algum dia o carro escolhido foi ou não chamado de volta para algum reparo. E, em caso positivo, se o antigo proprietário respondeu à convocação.Apenas neste momento, as convocações de várias montadoras envolvem mais de 1,5 milhão de automóveis no País. O problema é que, no Brasil, estima-se que 30% dos donos de carros deixam de atender aos chamados para a troca gratuita de peças defeituosas, gerando as dúvidas.Uma etiqueta adesiva, um pingo de tinta, uma "pinta" colorida na nova peça ou a anotação no manual do proprietário são as diferentes indicações que os concessionários deixam nos veículos que responderam aos chamados. Com o tempo, no entanto, estas marcas tendem a desaparecer, e o manual nem sempre acompanha o veículo em caso de venda. Resta, assim, a alternativa de tentar consultar os arquivos dos fabricantes, mas muitas vezes o atendimento é falho. A orientação mais comum dos concessionários é para que, na dúvida, o consumidor procure orientação dos próprios consultores-técnicos das revendas. Saiba como reconhecer se o carro passou pelo reparoO consumidor também pode buscar respostas no veículo. A dificuldade é descobrir que tipo de identificação foi usada, em virtude da variação de uma empresa para outra. No caso do suporte do cinto de segurança do Corsa, por exemplo, a GM aplica uma etiqueta prateada na coluna da porta do motorista como garantia de realização do recall, além de oferecer uma via da nota fiscal do serviço. A Chrysler e a Renault seguem o mesmo padrão, variando a posição em que o selo é colado (a primeira usa o reforço do radiador, e a segunda, o interior do capô). A Volkswagen adota outras medidas, podendo pintar (geralmente de amarelo) a peça trocada ou mesmo carimbar o manual do proprietário, mas somente nos casos em que a tintura afetaria a estética. Audi e Fiat fazem uma observação no manual. Já a Ford opta por peças que venham de fábrica com uma "pinta", também na cor amarela, como a usada nas rodas trocadas no recall do Escort de 1998. Ainda assim existem situações em que não há sinais evidentes da reparação - como no caso da infiltração de água no interior do Fiesta. De acordo com Maria Lumena Sampaio, diretora de Atendimento do Procon de São Paulo, o consumidor deve exigir um comprovante que ateste a troca da peça para, futuramente, evitar a depreciação do bem. "Pintar uma peça de amarelo, qualquer um pinta."Só em 2000, a Volkswagen fez chamados para donos de Golf, Gol duas-portas, Santana, Gol Geração 3 e Audi A3. A GM já convocou este ano proprietários de Corsa, Omega, S10, Blazer e Astra. A Fiat se prepara para levar de volta aos revendedores 320 mil modelos Palio. Há ainda casos envolvendo veículos BMW, Chrysler, Mitsubishi, Dodge, Renault e até a motocicleta Honda CBR 900RR Fire Blade.

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