Recall global da Toyota sobe para 8,5 milhões de carros com Prius

Custo estimado com reparos é de US$ 1,1 bilhão; agências de risco podem rebaixar classificação da montadora

Marcílio Souza, da Agência Estado,

09 de fevereiro de 2010 | 15h05

A Toyota relutou por vários dias, mas anunciou nesta terça-feira, 9, após certa pressão do governo japonês, um recall de cerca de 437 mil veículos híbridos por causa de problemas no sistema de freios. A decisão eleva para mais de 8,5 milhões de unidades o número total de veículos chamados recentemente pela montadora em todo o mundo, já que o anúncio de hoje se soma aos quase 8,1 milhões de carros de vários outros modelos que foram alvo de recall pela fabricante por causa de falhas no pedal do acelerador e no tapete. O anúncio significa também que os problemas do grupo já atingem seu próprio país; até então, os clientes do Japão vinham sendo poupados dos chamados.

 

 

Os recalls não apenas maculam a reputação da maior montadora japonesa e uma das líderes globais do setor, como também lançam dúvidas sobre o impacto que o grupo sofrerá em seus resultados financeiros. Citando as preocupações com o "efeito no longo prazo sobre a marca, o poder de impor preços e a fatia da Toyota em mercados importantes", a Moody's colocou o rating de crédito da empresa, em Aa1, em revisão para possível rebaixamento. Há alguns dias, a Standard & Poor's tomou decisão semelhante, colocando sua classificação de longo prazo para a fabricante, atualmente em AA, em observação com implicação negativas.

 

Prius, envolvivo no recall, é sucesso nos EUA e Japão

 

A empresa afirmou que está fazendo recall de 437 mil unidades dos híbridos Prius 2010, Sai, Prius PHV e Lexus HS250h pelo mundo. Cerca de 155 mil na América do Norte, 223 mil no Japão, 53 mil na Europa e 5 mil no resto do mundo. Lançado em maio de 2009, o Prius é o carro mais vendido no Japão. No ano passado, a Toyota vendeu 311 mil unidades do modelo, 176 mil delas no Japão e 103 mil nos EUA. "O número de problemas relatados e a possibilidade de que as falhas continuassem foram fatores-chave por trás de nossa decisão de recall", disse o presidente da Toyota, Akyo Toyoda, um dos membros da família que fundou a empresa. "Sempre que encontrarmos falhas ou erros, nos certificaremos de corrigi-los. Isso faz parte de nosso DNA 'kaizen' (de contínua melhoria)", afirmou, em entrevista coletiva em Tóquio.

 

Essa foi a primeira aparição em público de Toyoda na capital japonesa desde que a empresa começou a chamar diversos de seus modelos para reparos em todo o mundo. Na última sexta-feira, Toyoda deu entrevista coletiva em Nagoya, na qual pediu desculpas aos seus clientes.

 

Na ocasião, Toyoda afirmou que havia exigido ação rápida da companhia contra os problemas de freio do Prius, mas não chegou a dizer se a montadora faria um recall dos veículos. A empresa vinha demorando em anunciar um recall, ao mesmo tempo em que crescia o número de reportagens da mídia japonesa informando que uma decisão nesse sentido era iminente.

 

O caso também vinha sendo acompanhando pelas autoridades japonesas, que pressionavam por uma ação rápida e mais decisiva por parte da fabricante. Na última quarta-feira, o ministério de Transportes do Japão disse ter recebido 14 reclamações sobre problemas nos freios do Prius e pediu à montadora que investigasse o caso. Dois dias depois, o ministro, Seiji Maehara, disse que "se o problema é grande ou não, isso deve ser decidido pelos consumidores. Eu acredito que a resposta da Toyota de certa maneira não está de acordo com o ponto de vista do consumidor".

 

Impacto financeiro

 

Resta a dúvida sobre o impacto total nos resultados financeiros da Toyota dos quase 8,5 milhões de chamados feitos pela montadora até agora. Na semana passada, a empresa estimou que o recall envolvendo apenas os problemas do acelerador pode lhe custar 100 bilhões de ienes (US$ 1,1 bilhão) e impactar suas vendas em cerca de 70 bilhões a 80 bilhões de ienes. A previsão, resultado da diluição do custo do recall de maneira equilibrada no terceiro e quarto trimestres de seu ano fiscal que termina em 31 de março, não inclui o anúncio referente ao Prius e aos demais modelos com falhas nos freios.

 

As demais montadoras, enquanto isso, adotaram diferentes estratégias em reação aos problemas da Toyota. A General Motors, que nos últimos anos vinha disputando ferrenhamente fatia de mercado em seu país com a japonesa, promete US$ 1 mil para os clientes norte-americanos que trocarem os veículos da Toyota por seus carros. A Ford também lançou uma campanha na tentativa atrair os clientes da japonesa. A Honda, segunda maior montadora do Japão, não traçou uma tática específica para roubar clientes de sua maior concorrente, mas já alertou para o efeito cascata que a crise na Toyota pode causar sobre o setor, principalmente no que se refere à confiança dos consumidores.

 

A própria Honda, aliás, anunciou no final de janeiro um recall mundial de 646 mil veículos do modelo Fit para examinar falhas relacionadas aos dispositivos de comando dos vidros elétricos, que podem "em casos extremos, gerar curto-circuito e risco de incêndio". A decisão envolve 186.902 carros no Brasil. As informações são da Dow Jones.

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