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Recalls devem enfraquecer Natal dos brinquedos

Com problemas no setor, previsão de vendas para o Natal cai de 30% para 6%

Ana Paula Lacerda, do Estadão,

24 de novembro de 2007 | 14h03

Os varejistas de brinquedos já terminaram as compras para o Natal. Os resultados, no entanto, são incertos. Em setembro, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos estimava que as vendas no Natal girariam em torno de R$ 300 milhões - cerca de 30% do faturamento anual do setor -, um crescimento de 8% ante 2006, mas os lojistas estão repensando este valor. "Estimamos um crescimento de 6% no Natal", diz o diretor comercial da rede Ri Happy, Ricardo Sayoun. "Não é excelente, mas é aceitável". Na Brinquedos Laura, a previsão também era "morna". "Acreditamos que será melhor que o ano passado, mas daí a dizer o quanto melhor é difícil", diz a diretora de marketing da empresa, Nádia Pedro. "Esse mercado está uma loucura." A loucura se refere à seqüência de recalls de brinquedos no segundo semestre. Em agosto, a Mattel anunciou o recall de 850 mil brinquedos, entre Barbies, Pollys e Batmans. Em seguida, a Gulliver recolheu 35 mil unidades do Magnetix. Em setembro, novo recall da Mattel e esta semana foi anunciado o do Bindeez, da Long Jump. "É muito difícil prever a reação do consumidor porque nem todos têm a mesma percepção do recall", diz Eduardo Tomiya, diretor da BrandAnalytics, especialista em análise de marcas. "Alguns podem ficar receosos, outros vão perceber que foi um problema pontual." Para Tomiya, as empresas terão de mostrar que foi um acidente e a situação está controlada. "Os lojistas devem demonstrar preocupação com o que vendem, com equipes bem informadas para orientar o consumidor, afinal muitos clientes vão achar que os avisos de Made in China são um ponto negativo e optar por outro presente." "As pessoas perguntam, foi uma questão que preocupou a todos, mas não deve haver problemas", diz Nádia. Ela indica outros fatores que devem favorecer as vendas: aumento de renda e dólar em queda. A Brinquedos Laura não alterou a quantidade de brinquedos importados após os recalls. Na PBKids, também não houve alterações. A empresa oferece cerca de 7 mil itens, 70% importados e 30% nacionais. "O Dia da Criança e o Natal representam 70% das nossas vendas", diz o diretor da PBKids Celso Pilnik. A expectativa é de que a empresa aumente a venda média de R$ 104 em 2006 para R$ 113 este ano. "Há muitos lançamentos." Sayoun, da Ri Happy, diz que não há um brinquedo que se destaque como best-seller. "O mercado está cada vez mais pulverizado, o que é muito bom. As empresas estão investindo em lançamentos." Ele alerta, no entanto, que, devido à maior lentidão da entrada de importados no Brasil - por determinação do Inmetro, todos os lotes de brinquedos estão sendo testados -, alguns itens podem se esgotar. "Acho que Hot Wheels e Transformers vão sofrer com isso." A própria Mattel, fabricante do Hot Wheels e da boneca Barbie, não sabe como será o Natal. Proibida de importar, a empresa informa, em nota, que "aguarda a liberação para breve para que possa abastecer o mercado e garantir que a Barbie e outros brinquedos façam a alegria das crianças neste Natal". No Brasil, ainda não há pesquisas sobre o tema, mas nos Estados Unidos (onde mais de 15 milhões de brinquedos entraram em recall), uma pesquisa da National Retailer Federation mostrou que as meninas gostariam de ganhar bonecas no Natal. Os meninos estão mais tecnológicos, mas nem tanto: videogames ficaram em segundo lugar, atrás dos bonecos Transformers.

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