Charlie Brewer/Flickr
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Receita de serviços sobe 2,1% em julho e tem pior resultado para o mês desde 2012

Resultado do setor acumula alta de 2,2% no ano e de 3,3% em 12 meses, nos cálculos do IBGE; queda da renda das famílias e desaceleração vista em outros setores, como indústria e comércio, pressionam o índice

IDIANA TOMAZELLI, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2015 | 09h17

RIO - A receita bruta nominal do setor de serviços subiu 2,1% em julho deste ano ante igual mês de 2014, informou nesta sexta-feira, 18, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do pior desempenho para um mês de julho em toda a série, iniciada em janeiro de 2012. Em junho de 2015, o crescimento também foi de 2,1% no mesmo tipo de confronto.

Com o resultado de julho, a receita bruta do setor acumula alta de 2,2% no ano. Já em 12 meses, o avanço é de 3,3%, o menor desde o início da série, que começou em janeiro de 2013 neste tipo de comparação.

Famílias. A receita nominal dos serviços prestados às famílias cresceu 2,5% em julho ante julho de 2014. Trata-se do primeiro avanço do setor após ter registrado queda em maio e estabilidade em junho, sempre na comparação com igual mês do ano passado.

Os serviços de informação e comunicação tiveram alta de 0,8% na receita nominal, ou seja, sem descontar a inflação, em julho ante igual mês de 2014, após uma sequência de três quedas consecutivas em termos nominais.

Já os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram avanço de 3,5% na receita bruta em julho ante julho do ano passado, o menor crescimento de toda a série, iniciada em janeiro de 2012. Este setor, que inclui serviços básicos como segurança e limpeza, vinha se mostrando mais resistente à desaceleração na atividade.

Os serviços de transportes tiveram avanço de 2,8% na receita bruta no período, enquanto os outros serviços observaram recuo nominal de 0,8% no valor de vendas.

Avaliação. O setor de serviços segue acompanhando a desaceleração de outras atividades econômicas, principalmente indústria e comércio, que pioram desde o início do ano, afirmou Roberto Saldanha, técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

"Os serviços estão acompanhando o processo de desaquecimento que temos observado em outros setores, principalmente indústria e comércio", disse Saldanha. Além disso, o ajuste fiscal dos governos também tem afetado a demanda por serviços, notou o técnico.

"A indústria é o principal demandante (de serviços), seguida do próprio governo. Na medida em que a indústria está passando por fase de desaquecimento e o governo por contenção de gastos, isso se reflete em menos contratações de serviços. São serviços de transportes, de consultoria, serviços que normalmente são terceirizados. Todos eles sofrem uma retração em função dessa demanda desaquecida", explicou Saldanha.

No caso dos serviços prestados às famílias, a alta verificada em julho se deve às férias escolares. Segundo o técnico do IBGE, mais pessoas viajaram e demandaram serviços de alimentação e alojamento em relação a meses anteriores: "Houve certa retomada no turismo de lazer por causa das férias", analisou Saldanha.   

Metodologia. Esta é a última publicação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) apenas com dados nominais. A partir do mês que vem, o IBGE passará a anunciar índices de volume (ou seja, descontando a inflação) para os confrontos interanuais, acumulado no ano e acumulado em 12 meses. A série retroagirá até janeiro de 2012, quando tem início.

Ainda não haverá divulgação de dados com ajuste sazonal (mês contra mês imediatamente anterior), pois, segundo o IBGE, a dessazonalização requer a existência de uma série histórica de aproximadamente quatro anos.

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