CHARLES SHOLL/FUTURA PRESS
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Após invasão, MST ficará acampado do lado de fora do Ministério da Fazenda

Ativistas vão desocupar prédio, invadido na manhã desta segunda, em protesto contra o ajuste fiscal e o impacto nas políticas agrárias; governo marcou reunião com representantes do movimento nesta terça às 9h30

Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 10h43

Atualizado às 18h35

BRASÍLIA - Após ameaçar passar a noite no Ministério da Fazenda, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) concordou em desocupar o prédio, invadido por militantes às 5h30 da manhã desta segunda-feira, em protesto contra o ajuste fiscal e os impactos na política agrária. Os manifestantes, entretanto, permanecerão acampados no pátio da sede da Pasta. 

Nesta terça-feira, às 9h30, o governo marcou uma reunião com representantes do movimento, a Casa Civil, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, Planejamento, Fazenda, Cidades e a Secretaria-Geral da Presidência. 

Após a invasão, os militantes se prepararam para passar a noite no local, com forró e bebidas alcoólicas. Barracas instaladas no gramado em frente ao prédio e nas portarias do local, inclusive na portaria oficial utilizada pelo ministro Joaquim Levy, já estão com cobertores para enfrentar a próxima noite, que deve apresentar baixas temperaturas. A mínima prevista é de 14ºC, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O acampamento conta também com vários vendedores ambulantes. No local, é possível comprar calças jeans, cerveja, refrigerante, carteiras, relógios, bolsas, chapéus, colares e brincos. O MST garante ter suprimento para os próximos cinco dias e promete não sair do local enquanto não for recebido por Levy.

Na tarde desta segunda-feira, os militantes do MST chegaram a tomar banho nas pias de banheiros do prédio. O banheiro do primeiro andar, reformado há cerca de dois meses, está, segundo integrantes do movimento, em estado "deplorável". O MST, entretanto, disponibilizou banheiros químicos do lado de fora do Ministério.

O Ministério da Fazenda já havia solicitado à Justiça Federal um pedido de reintegração de posse do prédio principal da Pasta. A Fazenda, no entanto, temia um conflito físico entre a Polícia Federal e os manifestantes, em caso de cumprir a possível decisão.

Sobre a invasão desta segunda-feira, a Fazenda afirmou que não tem como antecipar as ações do movimento. Segundo fonte do ministério, entretanto, a Pasta havia sido aconselhada a fortalecer a segurança doo prédio depois de seguidas invasões.

Segundo o site do MST, os prédios do Ministério da Fazenda de outros oito Estados também foram ocupados:Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Florianópolis, Curitiba, Palmas, Paraíba e Bahia. O movimento faz outros protestos simultâneos no Mato Grosso, Pará, Minas Gerais e São Paulo.

"A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária realizada pelo MST em todo País. Durante toda essa semana todos os Estados estarão mobilizados em luta permanente em defesa da pauta da classe trabalhadora camponesa", diz o MST, em nota divulgada no site.

O ajuste fiscal em curso não tem agradado aos movimentos sociais, que já invadiram a sede do Ministério da Fazenda pelo menos três vezes este ano. 

Protesto. Representante nacional do MST, Kelly Mafort afirmou que o movimento permanecerá no local por tempo indeterminado, até que as solicitações sejam atendidas. "Temos que mexer no centro da economia. Nossa pauta é ligada ao Incra, mas sabemos que foi prejudicada pelo ajuste fiscal. O governo precisa assentar as famílias", disse. 

Diversos ônibus chegam a todo momento ao Ministério, trazendo novos grupos para se juntarem aos manifestantes que já estão no local. Segundo Kelly, são esperados 2 mil manifestantes. Estão sendo distribuídos lanches e colchonetes.

Com a invasão, os secretários da Fazenda estão despachando do prédio anexo. Já o ministro Joaquim Levy foi para o Palácio do Planalto. A Receita Federal também precisou cancelar uma entrevista que daria às 11 horas para fazer um balanço aduaneiro do primeiro semestre de 2015. De acordo com a Receita, a entrevista será remarcada e a nova data divulgada em breve. 

Em Porto Alegre, cerca de mil pessoas estão acampadas no pátio da sede do Ministério da Fazenda. Não há funcionários no local. O prédio foi esvaziado e, portanto, as atividades foram suspensas. Os líderes do protesto alegam que só vão desocupar o lugar quando o governo apresentar soluções para as reivindicações. 

Os manifestantes cobram o assentamento de 2.100 famílias acampadas no Rio Grande do Sul, a reestruturação dos assentamentos e a elaboração de um programa de produção de alimentos saudáveis. (Com informações de Gabriela Lara, correspondente em Porto Alegre)

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