Fabio Motta/Estadão - 12/6/2018
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Receita com exportação de petróleo alcança US$ 30,5 bi em 2021 e bate recorde

Volume exportado caiu 3,15%, mas alta no preço da commodity pesou no resultado da receita

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 10h10

RIO - O Brasil nunca ganhou tanto dinheiro vendendo petróleo a outros países como em 2021. Com a cotação do barril em alta, a receita chegou a US$ 30,5 bilhões, 54% mais do que no ano anterior, segundo o Ministério da Economia. Em moeda nacional, esse valor corresponde a cerca de R$ 173 bilhões, considerando o dólar negociado nesta quinta-feira, 6, a R$ 5,7. Até então, o recorde da receita com a exportação era de US$ 25 bilhões, de 2018.

Em volume, a exportação de petróleo caiu 3,15% em 2021, para 67,8 milhões de toneladas (o que inclui óleo bruto e minerais betuminosos), de acordo com a Secex. Esse volume corresponde a 1,3 milhão de barris por dia, quase a metade da produção nacional de 2,8 milhões de barris por dia.

O último dado divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que se refere ao período de janeiro e novembro de 2021, mostra queda de 4,4% no volume exportado em comparação a igual período de 2020. O gasto com importação subiu, mas não o suficiente para abalar o saldo comercial positivo até novembro, de US$ 23,7 bilhões.

O que fez a diferença em 2021 foi o preço do petróleo, apesar de o produto brasileiro ser vendido a um valor inferior ao do Brent, negociado na Europa e usado como referência mundial. No ano passado, a commodity bateu a casa dos US$ 80 por barril. No melhor momento do mercado, em março de 2012, a cotação média mensal chegou a US$ 125 por barril.

O produto brasileiro foi negociado a US$ 61,80 o barril, na média de 2021, enquanto o Brent saiu a US$ 67,60. Isso significa que o óleo nacional valeu 8,6% menos do que o europeu. A ANP divulga volumes e receita de exportação, mas não o valor do barril brasileiro. Esses números foram calculados considerando a relação entre quantidade e arrecadação. A concorrência entre os exportadores e a qualidade do petróleo costumam influenciar o valor pago pelos importadores.

A Petrobras, principal vendedora do petróleo nacional, divulgou em seu último resultado financeiro, do terceiro trimestre do ano passado, que as exportações de petróleo renderam à companhia R$ 61,8 bilhões, de janeiro a setembro. A empresa também está ganhando com a venda de óleo combustível para navios, o que gerou uma arrecadação de R$ 19,4 bilhões.

Procurada, a petrolífera respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que os dados divulgados pela ANP e pelo Ministério da Economia incluem informações de outros produtores de petróleo, além dela. Afora disso, argumentou que o resultado financeiro do quarto trimestre ainda não foi divulgado e, por isso, ainda não pode se posicionar.

Destino

A China continua a ser o principal comprador do petróleo brasileiro. O país asiático gerou receita de US$ 14,2 bilhões para o Brasil, com a aquisição de petróleo, quase a metade do total arrecadado no ano, de acordo com o Ministério da Economia. Outros destinos, no entanto, também entraram na rota de exportação do óleo nacional, como Chile, Portugal e Coreia do Sul. Esses países têm demonstrado interesse especial na produção do pré-sal, com baixo teor de enxofre e, por isso, menos poluente.

“O aumento da receita com as exportações de petróleo está associado, principalmente, à recuperação do preço do barril do mercado internacional. Apesar disso, em termos de volume, a quantidade exportada caiu em 4,4%, muito provavelmente porque o principal comprador do nosso petróleo, a China, teve uma queda significativa de suas importações no segundo trimestre de 2021. Em maio de 2021, a quantidade de petróleo exportado teve seu pior desempenho no ano", avalia Rodrigo Leão, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás Natural (Ineep).

Para 2022, a expectativa para os preços absolutos de petróleo é positiva, pois o crescimento da demanda segue ultrapassando o da produção, mesmo diante do aumento do número de infectados pela variante do coronavírus Ômicron, no mundo, segundo Sergio Baron, analista sênior da S&P Global Platts.

“A nossa opinião é que as exportações de petróleo brasileiro serão duplamente beneficiadas, em 2022, pela continuação da valorização relativa do petróleo em relação ao Brent e pela perspectiva de preços de Brent mais elevados no corrente ano”, acrescenta o especialista.

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