Receita contra crise aproxima governadores tucanos de Lula

Ao discursar na inauguração do Salão do Automóvel, há duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou que, num comício recente em São Bernardo do Campo, deu sua receita para a crise econômica que assola o mundo. "Gente, eu acho que vocês têm que comprar", disse ele ao povo. No mesmo discurso, opinou que a atual crise é "tão ou mais séria que a de 1929". Deliberadamente ou não, Lula exibiu duas finas identidades com o governador José Serra, que estava a seu lado.Uma delas é que Serra também acha que a crise é de demanda e deve ser enfrentada com a ativação da economia; outra é que Lula não sabe, mas a crise de 1929 é o modelo de estudos predileto do economista José Serra. Naquele dia, em reunião reservada no Anhembi, os dois ouviram do presidente da Anfavea, Jackson Schneider, um cenário sombrio sobre a indústria automobilística.O governador Aécio Neves (MG) não estava no Salão do Automóvel, mas também forjou em Minas um pacote contra a crise, com linhas de crédito novas, fundos para subsidiar empresas e o alongamento de pagamento do ICMS, numa soma total que atinge os R$ 2 bilhões. "Não combinamos nada, foi coisa de ?feeling?", disse ele ontem à noite ao Estado. Os dois governadores ajudaram Lula, mas acima de tudo aproveitaram a chance de mostrar ao País que são ágeis e resolutivos. Serra foi mais longe, porque a modelagem do pacote paulista - crédito interbancário para os bancos das montadoras - combate a crise dentro e fora de São Paulo, já que 56% da produção automobilística vem de outros Estados. Trata-se, pois, de um gesto que será apreciado em outros Estados.Há pouco tempo, na busca de remédios para a crise, Serra lançou o programa Pró-Trator - R$ 100 milhões para o financiamento de tratores para médios agricultores, numa hora em que a indústria de tratores, eminentemente gaúcha, está à beira da recessão. Pouco antes, leiloou concessões rodoviárias que renderão R$ 8 bi em investimentos nos próximos anos. E Lula deu respostas generosas. Ontem, o Banco Central aprovou a criação da Agência de Fomento que Serra colocará no lugar da Nossa Caixa, após vendê-la ao Banco do Brasil, para ativar o desenvolvimento de regiões pobres do Estado.

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

12 de novembro de 2008 | 00h00

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