Receita da Vale pode aumentar em até US$5,5 bi por ano

Cálculos da consultoria australiana Global Mining Research mostram que, com a aquisição da Inco, a Vale terá um ganho anual em sua receita de US$ 3,5 bilhões a US$ 5,5 bilhões. ?A nova companhia se parece mais com uma Rio Tinto do que com uma mineradora especializada em minério de ferro e pelotas?, afirma o analista da GMR, Tony Robson. Após a compra, 56% da receita da Vale virá de minério de ferro e pelotas - antes, a dependência da empresa desses minerais chegava a 74%. Com a Inco, o níquel passa a ter um peso grande no portfólio de produtos da Vale, passando a responder por 20% das receitas. Produtos com platina e cobalto também ganham destaque na companhia.No curto prazo, para 2007, a consultoria calcula um acréscimo de US$ 3 bilhões no lucro da companhia. Mas, na medida em que os preços do níquel forem se estabilizando, os ganhos deverão cair para US$ 700 milhões. Já o fluxo de caixa operacional (Ebitda) terá um ganho de 30% em 2007, chegando a US$ 14,3 bilhões, ainda segundo a GMR. Nos anos seguintes, por causa de uma previsão de queda nos preços das commodities, o ganho em termos de Ebitda cairia para 15%, atingindo US$ 10,5 bilhões em 2008.Funcionários da IncoPara os operários da Inco, o anúncio da venda da empresa, que a direção da empresa deve fazer na manhã desta terça-feira não provoca mais expectativa. Para a comunidade mineira de Sudbury, no leste de Ontário, onde estão sediadas as maiores operações de mineração da Inco, a compra da empresa pela Companhia Vale do Rio Doce há tempos já é dada como concluída. O que gera incerteza e receio é o futuro da tradicional mineradora canadense sob o controle da gigante brasileira. ?O que nos inquieta é a perspectiva de passar para as mãos de uma multinacional dessa proporção gigantesca, que já teve problemas ambientais e sociais em seu próprio território?, diz Dan O?Reilly, 57 anos, coordenador do Sindicato dos Operários Siderúrgicos do leste de Ontário. ?A vida da população de Sudbury nos últimos anos foi pautada pelas duas mineradoras locais, a Falconbridge e a Inco. E neste ano, de repente, as duas são engolidas por dois gigantes multinacionais. É difícil avaliar o impacto que isso vai ter a longo prazo para a comunidade.?O?Reilly faz alusão à compra da Falconbridge pela companhia anglo-suíça Xstrata, em agosto. ?Assim que assumiu o controle da Falconbridge, a nova direção substituiu todos os logotipos e letreiros originais pelo da Xstrata. A mensagem foi clara: agora quem manda somos nós. Vamos ver o que acontece com a Inco agora?, diz.Embora a Vale já tenha afirmado que vai manter a marca Inco, pelo menos por enquanto, isso não tranqüiliza os sindicalistas, que já tomaram uma série de medidas para proteger os trabalhadores e a comunidade local. Em setembro de 2005, uma delegação liderada por O?Reilly esteve no Brasil, onde se reuniu com vários grupos de sindicalistas que representam os trabalhadores da Companhia Vale do Rio Doce.As reuniões foram organizadas pela CUT, que também promoveu uma viagem de inspeção às minas da empresa no Brasil. Durante a visita de quatro dias, os canadenses se encontraram com ativistas sociais e ambientais dessas regiões e representantes das comunidades locais.De volta ao Canadá, o grupo formatou os termos de um acordo que foi submetido e aceito pela Vale. Segundo esse acordo, a empresa se compromete a não demitir ninguém nos próximos três anos e a manter pelo menos 85% do atual número de cargos. Além disso, a Vale também se compromete a incentivar uma série de programa sociais e a preservar o meio ambiente. ?É uma pequena garantia, que funciona a curto prazo, mas não sabemos o que vai se passar daqui para a frente?, diz O?Reilly.

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