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Receita de usuário de celular cai 8,7% no trimestre

Recuo no faturamento das operadoras, de R$ 27,5 para R$ 25,1 por cliente, decorre da crise e das promoções

Daniele Carvalho, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

Os clientes de telefonia móvel reduziram os gastos no primeiro trimestre. Os balanços financeiros divulgados nas duas últimas semanas pelas empresas do setor mostram que a receita média por usuário (conhecida como ARPU) caiu até 12%. A crise financeira internacional e a agressividade das promoções de Natal são apontadas pelos analistas como as principais causas do recuo, que se torna um desafio diante dos vultosos investimentos planejados para os próximos anos. "As operadoras de telefonia móvel realizaram ofertas muito agressivas durante o Natal, com pacote de segundos a preços bem reduzidos. Soma-se a isso o esforço feito pelas empresas para manter e ganhar clientes por conta da portabilidade numérica. Tudo isso pesou no resultado", resume a analista em telecomunicações do Banco Fator, Jacqueline Lison. A crise financeira também teve efeito perverso nos resultados. Além de reduzir os gastos dos consumidores, o desemprego no período teve como consequência o aumento da inadimplência, forçando as empresas a aumentar suas provisões para clientes devedores. Segundo a consultoria Teleco, a receita média das quatro maiores do setor (Oi/BRT, Vivo, Claro e TIM) era de R$ 27,5 no primeiro trimestre do ano passado. No mesmo período deste ano, atingiu R$ 25,1, recuo de 8,7%. A maior queda foi a da TIM, com 11,9%. Outro problema apontado pelos analistas como responsável pela queda na receita é o desequilíbrio entre a base de clientes pré-pagos e pós-pagos. "Hoje, os consumidores que utilizam recarga ou planos limitados já chegam a 81,6% da base total", diz o consultor da Teleco Eduardo Tude. Ele frisa que o gasto desses usuários é bem inferior ao de clientes de pós-pagos. O analista de telecomunicações da consultoria IDC, Vinícius Caetano, explica que a receita dos usuários vem sofrendo recuo há mais de um ano e deve continuar caindo até o ano que vem. "Este foi um movimento que já ocorreu em países onde o setor é mais maduro. No exterior, a solução para a retomada da receita passou pela oferta de serviços de maior valor agregado, como 3G. Nesses locais, serviço de voz já se tornou uma commodity." O uso de chips de diversas operadoras por um mesmo assinante- trocado pelo usuário de acordo com as promoções oferecidas para o número a ser discado - é mais um fator. "O cliente economiza, mas as operadoras recebem menos", acrescenta Jacqueline Lison. A curva declinante da receita média por usuário se torna ainda mais necessária diante da expectativa de manutenção no ritmo dos investimentos do setor. Puxado pelo cumprimento de metas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pela necessidade de ganhar participação de mercado, a expectativa é de que os desembolsos ultrapassem R$ 10 bilhões, mesmo nível do ano passado. "O descompasso entre receita dos usuários e investimentos ainda não é preocupante porque as operadoras têm forte geração de caixa", observa Jacqueline. Ela também lembra que as empresas têm negociado preços com fornecedores.

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