Receita detecta sonegação 38% maior no 1º semestre de 2003

A Receita Federal conseguiu detectar, no primeiro semestre deste ano, um volume de sonegação 38% maior que no mesmo período do ano passado, somando R$ 15,5 bilhões entre imposto devido, multa e juros de 18,7 mil pessoas físicas e 8,7 mil empresas investigadas. Segundo o coordenador-geral de Fiscalização, Paulo Ricardo Cardoso, o aumento do valor das autuações reflete novos ganhos de produtividade da Receita. "Até 2001, cerca de 30% das ações não davam resultado, e hoje são 15%." De fato, o número de fiscalizações cresceu 27% no período, menos que o valor das autuações. O maior ganho de produtividade no primeiro semestre ocorreu na malha fina das pessoas jurídicas, que ganhou um novo sistema informatizado, no fim do ano passado. Segundo Cardoso, esse sistema tornou a fiscalização das pessoas jurídicas muito mais dinâmica, porque permite o cruzamento de um número maior de dados e eliminou o papel no trabalho do auditor. Com a modernização, o número de empresas na malha fina aumentou de 864 no primeiro semestre do ano passado para 4,9 mil no mesmo período deste ano. Malha fina O secretário-adjunto da Receita, Leonardo Couto, disse que o novo sistema de malha fina das empresas será adaptado para pessoas físicas, mas ainda não há previsão de prazo para isso ocorrer. Entre pessoas físicas, o número de fiscalizações de profissionais liberais e autônomos no primeiro semestre cresceu 107% em relação ao mesmo período do ano passado, para 1,2 mil pessoas. O volume de créditos resultante dessas fiscalizações, no entanto, cresceu 62%. A sonegação descoberta no setor financeiro foi a que mais cresceu entre as categorias usadas pela Receita para pessoas jurídicas. O número de empresas investigadas aumentou de 155 no primeiro semestre de 2002 para 207 este ano, enquanto o valor das autuações subiu de R$ 995 milhões para R$ 3,4 bilhões. Segundo Cardoso, além da nova malha fina para pessoas jurídicas, a Receita também está aprimorando e desenvolvendo novos sistemas para a seleção de contribuintes a serem fiscalizados. Por por isso, o mesmo número de fiscalizações tende a produzir cada vez mais créditos.

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