André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Receita do Orçamento não tem conexão com realidade da arrecadação, diz Levy

Ministro da Fazenda disse que o corte do Orçamento foi 'adequado', mas mostrou preocupação com as receitas do governo; contingenciamento, anunciado na sexta-feira, ficou em R$ 69,9 bi

Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

25 Maio 2015 | 11h03

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta segunda-feira, 25, que as receitas previstas no Orçamento aprovado mês passado não têm conexão com a realidade da arrecadação. Segundo o ministro, como as receitas não estão próximas do previsto, o governo precisou "cortar na carne", mas com "muita cautela e equilíbrio". 

"A arrecadação não tem atendido às necessidades do governo. A arrecadação tem sobrevivido de receitas extraordinárias, como o Refis", disse. "As receitas não têm sido muito significativas. As receitas previstas no Orçamento não têm conexão com a realidade da arrecadação", acrescentou o ministro.

Levy havia dito logo cedo que o contingenciamento de R$ 69,9 bilhões anunciado na última sexta-feira, 22, veio no valor adequado. Levy afirmou que a arrecadação brasileira está baixa nesse ano. Ele ressaltou que, por este motivo, o governo cortou com "muita cautela e equilíbrio". "O corte não coloca em risco o crescimento econômico", disse Levy. Segundo o ministro, a arrecadação não tem atendido às necessidades do governo mesmo com as receitas extraordinárias como o Refis. Ele lembrou ainda que o governo federal não tem controle sobre os gastos obrigatórios, que têm seu próprio ritmo.

Levy não compareceu ao evento de anúncio do corte do Orçamento na sexta-feira, 22, o que causou certo desconforto no mercado. A leitura é que o ministro elevou o tom da sua insatisfação ao fazer uma demonstração pública de que está insatisfeito. 

No entanto, durante a coletiva de imprensa desta segunda-feira, o ministro afirmou que não compareceu ao evento porque estava gripado. Em seguida, tossiu.

Sobre um possível aumento de imposto, o ministro da Fazenda, afirmou que essa não é a única solução para o país. "Temos que ir com calma no imposto", afirmou Levy. Questionado sobre um aumento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro (IOF), Levy respondeu que "não tem calculado nada sobre o IOF". O ministro afirmou que não se pode aumentar imposto como se esse tipo de medida fosse salvar a economia brasileira. "Temos coisas mais profundas que não se resolvem com medidas fáceis."

Questionado sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, Levy argumentou que o PIB do país não está devagar por causa do ajuste, e, sim, o ajuste acontece em decorrência de um PIB devagar. O ministro também criticou o modelo de financiamento baseado em recursos públicos, que segundo ele, já se esgotaram. "Esses recursos (públicos) acabaram", afirmou.

O dirigente da Fazenda ressaltou a importância de um ajuste estrutural na economia brasileira para que ela mantenha a competitividade e produção. Levy afirmou que, mesmo com a ajuda dos cofres públicos à indústria, ela não apresentou bons resultados. "Temos que fazer a economia ter vitalidade não só colocando dinheiro público", afirmou. O integrante da equipe econômica relembrou que o PIB do 4º trimestre pode ser revisto, mas afirmou que se o ajuste fiscal for concluído, a economia voltará a crescer. "A gente consegue botar a economia crescendo outra vez que é o que a gente quer", disse.

Levy reconheceu o temor de investidores com a economia do Brasil no início do ano. "Muitos agentes se retraíram, tinham preocupação com 'downgrade', Petrobrás e a questão energética", afirmou. Mas, segundo Levy, boa parte desses receios desapareceu. Porém, o ministro afirma que isso não significa que os problemas desapareceram totalmente. Segundo ele, apenas uma parte do plano da equipe econômica foi completado até agora e, portanto, passou a surtir efeito. 

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