Receita do setor de serviços cresce 6,4% em setembro

No terceiro trimestre, alta foi de 5,1%, a menor registrada desdeo início da pesquisa feita pelo IBGE

DANIELA AMORIM, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2014 | 02h01

O setor de serviços voltou a acelerar em setembro, puxado por uma recuperação nos segmentos de informação e transportes. A receita nominal aumentou 6,4% em relação ao mesmo mês de 2013, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços divulgada ontem pelo IBGE.

No entanto, economistas calculam que, descontada a inflação, a receita continua no vermelho. O recuo teria sido de 2,2% no mês, se retirada a variação dos preços dos serviços que integram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), informou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). "É o sétimo recuo seguido na receita real, se descontar a inflação de serviços. O resultado de setembro confirma a queda no faturamento real do setor em 2014, de cerca de 2%", previu Fabio Bentes, economista da CNC.

Em agosto, a receita bruta nominal dos serviços tinha registrado alta de apenas 4,5%, a menor taxa da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2012. O crescimento maior em setembro foi encarado como recuperação, mas ainda está abaixo da inflação do setor, que gira em torno de 8,5% no acumulado em 12 meses. O IBGE divulga apenas a receita nominal dos serviços porque a pesquisa ainda não conta com um deflator oficial.

Na avaliação do estrategista da Fator Corretora, Paulo Gala, o resultado de setembro é ruim, mas esperado. Segundo ele, o indicador é mais um que confirma a desaceleração da atividade econômica. No terceiro trimestre, o crescimento dos serviços foi de 5,1%, o menor resultado já registrado pela pesquisa. "Esse era o último dado que faltava sobre o terceiro trimestre. Somado aos outros indicadores, mostra que o PIB (produto Interno Bruto) será positivo, mas muito perto de zero."

A realização da Copa do Mundo no País justifica o fraco desempenho no trimestre, apontou Roberto Saldanha, técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. "Julho e agosto foram meses parados. A retomada (dos serviços) foi a partir da segunda quinzena de agosto", disse.

O IBGE viu reação em setembro nos setores de transportes, serviços administrativos e de informação. O transporte terrestre voltou a crescer, impulsionado pela retomada das encomendas de insumos pela indústria, disse Saldanha. "Setembro e outubro são meses em que a indústria começa a aumentar sua produção para atender o período de Natal, então eles começam a demandar mais matérias-primas", justificou Saldanha. Setembro também trouxe recuperação do transporte aéreo, que teve salto de 16,9%, com a regularização da demanda empresarial. / Colaborou Karla Spotorno

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