Receita do setor de serviços tem crescimento de 2,1% em julho

As férias escolares deram um pequeno respiro ao setor de serviços, e a receita nominal da atividade cresceu 2,1% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, informou ontem o IBGE. A taxa, que não desconta os efeitos da inflação, é idêntica à observada em junho, um sinal de interrupção na tendência de piora, segundo alguns economistas.

Idiana Tomazelli / RIO, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 02h03

"Aparentemente, no curto prazo, parece ter uma parada na tendência de piora do setor. Parece algo pontual", avaliou o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo.

Cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), porém, mostram que o setor, na verdade, intensificou o ritmo de queda em termos reais. Na comparação anual, a receita de serviços encolheu 3,4% em julho, após ter cedido 2,4% no mês anterior. A instituição faz as contas com base em uma instrução do próprio IBGE para a inclusão das informações no Produto Interno Bruto (PIB).

"Tem sido um ano difícil para o setor, que antes vinha sustentando a economia. A sondagem empresarial mostra as empresas ainda pessimistas, então tudo indica que o terceiro trimestre vai ser complicado, possivelmente apontando novo recuo no PIB", avaliou a economista Talita Silva Mereb, pesquisadora do Ibre/FGV e uma das responsáveis pelas estimativas.

Em 12 meses, a alta de 3,3% é a menor da série, iniciada em janeiro de 2013. No mês que vem, o IBGE trará um retrato mais preciso do setor de serviços, pois passará a divulgar oficialmente os índices de volume, ou seja, que descontam o efeito de preços.

Perda de fôlego. A desaceleração mais notável e preocupante veio do setor de serviços administrativos e complementares, que inclui tarefas de segurança e limpeza. O segmento costuma ser mais resistente a crises econômicas, já que as empresas não podem prescindir dessas atividades. Mas os dados de julho mostram que há uma tentativa de enxugar os gastos na área. "Isso preocupa. A empresa não deixa de utilizar os serviços, mas se antes utilizava 30 pessoas na limpeza, hoje usa 20. Isso vai se refletir em desemprego", disse o técnico Roberto Saldanha, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços no IBGE. / COLABOROU MARIA REGINA SILVA

"Tem sido um

ano difícil para o

setor, que antes

vinha sustentando

a economia."

Talita Silva Mereb

PESQUISADORA DO IBRE/FGV

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