Receita federal da Argentina intensifica cruzada antidólar

Órgão pedirá a 6.800 argentinos que compraram dólares para viajar mas não saíram do país, que devolvam o dinheiro

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h07

O governo da presidente Cristina Kirchner intensificou o cerco sobre a circulação de dólares no país ontem ao anunciar que a Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip), a receita federal argentina, enviará notificações às pessoas que compraram a moeda americana com a justificativa de viajar ao exterior e que não saíram do país.

No total, a Afip identificou 6.800 pessoas que deverão devolver os dólares comprados em um prazo de cinco dias. Caso não devolvam - para receber em troca pesos argentinos cotados com o câmbio oficial -, as pessoas serão punidas com multas. O governo também alertou que poderia aplicar a suspensão do o Cuit (equivalente ao CPF brasileiro).

Segundo a Afip, as pessoas que não viajaram como estava previsto - e que não devolveram os dólares - constituem 20% do total dos compradores de divisas americanas para turismo desde a última semana de maio, quando o governo começou a controlar a circulação de dólares.

Esta é uma nova etapa na cruzada antidólar comandada pela presidente Cristina Kirchner desde novembro passado, logo após sua reeleição. De lá para cá - com o objetivo de equilibrar as contas fiscais da Argentina -, a presidente aplicou uma série de medidas que praticamente impedem que os argentinos adquiram dólares, moeda que nas últimas quatro décadas foi o principal refúgio econômico dos habitantes deste país.

Compras restritas. Atualmente, os argentinos só podem comprar dólares para usar em viagens ao exterior, desde que seja apresentada não só a passagem aérea como detalhes do roteiro. Além disso, os argentinos precisam explicar ao Estado os motivos da viagem. A compra de moeda também só pode ser realizada com dinheiro "bancarizado" (por cartão de débito ou por cheque), mas apenas 30% da população é bancarizada no país vizinho por causa da tradicional desconfiança no sistema bancário argentino.

A compra de dólares para o caso de doações para vítimas de catástrofes naturais ou para casos de caráter humanitário de conhecimento público, que era uma das poucas alternativas existentes, foi cancelada nesta semana.

Dias atrás o banco central também proibiu os argentinos de comprarem dólares para poupar rompendo com o costume de comprar a divisa americana para guardar em casa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.