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Recessão, juro e cautela das famílias fazem crédito perder fôlego

Carteiras de veículos e cartão de crédito contribuem para esse arrefecimento; bancos públicos, no entanto, continuam a puxar o aumento do estoque de crédito no País 

Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2015 | 12h22

BRASÍLIA - O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, salientou nesta terça-feira que o crédito voltado para o consumo este ano mostra um arrefecimento ante períodos anteriores. "O ciclo econômico é uma explicação para isso", afirmou o técnico do BC. Outro ponto, segundo ele, é a própria cautela das famílias, que estão mais reticentes em se endividar.

O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,8% em setembro ante agosto e chegou a R$ 3,16 trilhões. Houve aumento de 1,2% para pessoas jurídicas e alta de 0,4% para o consumidor. De janeiro a setembro, a alta está em 4,4% para as empresas e em 5,1% para as famílias. 

"O terceiro fator, claro, é o encarecimento do crédito com a alta das taxas de juros, acompanhando o ciclo (de política monetária)", citou. A taxa básica de juros Selic está atualmente em 14,25% ao ano. Já a taxa do rotativo do cartão, a mais cara entre as linhas pesquisadas pelo BC, chegou a 414% em setembro. 

Os segmentos de automóveis e cartão de crédito, segundo o BC, contribuíram para essa expansão menor. "É pouco comum nesta época do ano apresentar queda da expansão", diz Maciel. A desaceleração do crédito de aquisição de veículos vem sendo vista desde 2013. Além disso, houve também redução do segmento do cartão de crédito à vista no mês. "Isso é um indicativo de fragilidade do consumo, como temos observado nas pesquisas de comércio do IBGE", ressaltou o chefe do departamento econômico do BC. 

A seletividade dos bancos e a menor demanda também têm pesado nesse cenário. "A parte de demanda é mais presente este ano acompanhando a economia", diz Maciel. "A maior seletividade das instituições, já vem há algum tempo, desde 2012", observou.

Na última sexta-feira, o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, adiantou que o governo estuda novas medidas para elevar o crédito e aquecer o consumo. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, duas premissas básicas estão norteando este planejamento: as medidas devem ser tomadas sem comprometer a política fiscal e o impacto na inflação tem de ser o mais baixo possível.

Bancos públicos. As instituições públicas continuaram a puxar o aumento do estoque de crédito em setembro ante agosto. Houve avanço de 1,2%, para R$ 1,758 trilhão. No acumulado do ano, a alta está em 8,4% e, em 12 meses, em 13,8%.

As instituições financeiras estrangeiras apresentaram o segundo maior crescimento na margem em agosto, de 1,1%. O estoque desse grupo está em R$ 456,089 bilhões. No ano, a alta é de 3,4% e, em 12 meses, de 4,9%. Já os bancos privados nacionais registraram um incremento de 0,1% do estoque na comparação mensal, para um total de R$ 945,131 bilhões. No ano, há queda de 0,8% e, em 12 meses, alta de 3,1%.

A inadimplência, por sua vez, ficou estável na margem para as instituições nacionais e para as privadas estrangeiras. Para as privadas nacionais apresentou ligeiro recuou, passando de 4,3% para 4,2%. Houve queda das provisões apenas no caso das instituições financeiras públicas, passando de 4,0% para 3,9%. Nos demais grupos, houve estabilidade na margem.

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