Recessão acentua a queda do mercado de capitais

A redução das operações do BNDES deveria estimular as empresas abertas a procurar recursos no mercado de capitais, lançando ações e debêntures ou abrindo o capital. Mas isso não está ocorrendo, pois a recessão criou um ambiente desfavorável às aplicações em ações. Cai o lucro das empresas, despencam as cotações dos papéis negociados em Bolsa e, em vez de buscar novos capitais, as companhias com excedentes de caixa recompram ações no mercado ou fecham o capital, à espera de dias melhores.

O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2015 | 05h00

Em 2014, cinco companhias fecharam o capital. Neste ano, seis pedidos de fechamento do capital foram aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários, entre eles o da Souza Cruz, uma das mais tradicionais da Bolsa. Outros seis estão em análise pelo órgão regulador. Algumas companhias preferem deixar o mercado onde é maior o comprometimento com a governança corporativa (Novo Mercado). Em todos os casos, o objetivo é reduzir custos com taxas, auditorias, publicações de balanço e fatos relevantes.

Até o dia 9 de setembro, haviam sido anunciadas 71 operações de recompra de ações por grandes empresas, como bancos privados e um estatal. O índice Bovespa, que oscila conforme a cotação das ações mais negociadas, caiu 9,8% no ano (até 30/9) e 16,7% em 12 meses – em dólar, as quedas foram de cerca de 40% e 49%. O valor de mercado das empresas com ações negociadas na Bolsa caiu US$ 480 bilhões em um ano. Por esse critério, o valor das empresas brasileiras com ações na Bolsa seria menor do que o das negociadas no México, cuja economia é menor que a brasileira.

Empresas que pretendiam abrir o capital estão reavaliando suas políticas, pois o momento é desfavorável. Entre elas estão a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, e a Caixa Seguridade, da Caixa Econômica Federal – que já decidiu esperar até 2016 para realizar a operação. Frustrou-se a expectativa do governo de obter, por esse meio, recursos para diminuir o déficit primário de R$ 14 bilhões acumulado nos oito primeiros meses do ano. Há poucos indicadores favoráveis às ações, tais como o saldo (ainda) positivo aplicado por estrangeiros, de R$ 17 bilhões até o dia 24.

O mercado de ações tem como funções principais capitalizar as empresas e permitir que os trabalhadores participem do lucro das companhias. Mas não pode competir com o juro alto. Por isso o número de investidores está diminuindo.

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